segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Suplente na CPI da Covid após a saída de Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro pede acesso a documentos sigilosos

Desde que assumiu, na semana passada, a condição formal de membro suplente da CPI da Covid, após a licença de Ciro Nogueira (PP-PI) para assumir a Casa Civil do governo, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) não compareceu aos depoimentos na comissão, e tem procurado atuar nos bastidores. Seu gabinete já se movimentou para ter acesso à documentação sigilosa da CPI, que inclui, por exemplo, processos em segredo de Justiça, investigações do Ministério Público e quebras de sigilo.

Esse acesso é uma prerrogativa dos senadores que compõem a CPI, e a solicitação foi feita por um assessor de Flávio na última sexta-feira. O objetivo ao se debruçar sobre os arquivos é avaliar quais documentos podem ser úteis na defesa do governo e quais podem ser utilizados para embasar acusações sobre supostos desvios de recursos envolvendo governadores. Esse trabalho já era feito pelos quatro senadores governistas na CPI, mas a avaliação de integrantes do núcleo do governo é que, à exceção de Marcos Rogério (DEM-RO), os outros parlamentares vinham deixando a desejar na defesa do Planalto.

A consequência do acesso de Flávio aos documentos gera divergência na cúpula da CPI. Isso porque embora não seja formalmente investigado pela comissão, a suposta ligação dele com diretores de hospitais federais do Rio é uma das linhas de investigação da CPI.

— Flávio ter acesso aos documentos é algo que atrapalha as investigações, mas nada que impeça o caminho a que vamos chegar. Com a presença dele na comissão temos que ser mais céleres. Temos que ter consciência ao movimento de obstrução que está em curso — diz o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Flávio também tem proximidade com outros alvos da CPI. Um deles é o empresário Danilo Fiorini Júnior, sócio de Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, em alguns negócios. Os dois estiveram com Flávio durante reunião virtual do BNDES, em outubro de 2020, o que chamou atenção da cúpula da comissão parlamentar de inquérito. O senador, inclusive, já admitiu manter uma “amizade distante” com Fiorini.


O Globo