sexta-feira, 25 de junho de 2021

Maestro José Siqueira, natural do Vale do Piancó, é homenageado nos seus 114 anos. Fundador da Ordem dos Músicos do Brasil e da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro

A obra do maestro, professor, musicólogo e compositor paraibano José Siqueira, fundador das principais orquestras brasileiras e um dos mais importantes nomes da música erudita mundial, foi a playlist do programa Espaço Cultural da última quinta-feira (24), das 22h à meia-noite.

Com apresentação do jornalista Jãmarrí Nogueira, o programa  tocou ‘Xangô Cantata Negra’ e ‘Candomblé’, além de reunir depoimentos do regente Luiz Carlos Durier, da pianista e pesquisadora Josélia Vieira (sobrinha-neta de José Siqueira) e dos cineastas Eduardo Consonn e Rodrigo T. Marques (sobrinho-neto de José Siqueira), que acabam de lançar o documentário ‘Toada pra José Siqueira).

Festival Internacional do Documentário Musical
“Toada para José Siqueira” está disponível na 13ª edição do In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, realizado até o próximo dia 27 deste mês, com programação on-line. O filme se propõe a fazer um resgate poético da vida e obra do maestro, fundador de várias orquestras, dentre elas a Orquestra Sinfônica Brasileira, destacando a importância da obra de Siqueira, integrante da 3ª geração nacionalista de compositores brasileiros, que tinham o folclore como fonte de inspiração. “Um artista e líder da classe musical que mostrou ao mundo a força e a diversidade da cultura brasileira e que segue desconhecido em seu próprio país após ter sua história apagada pela ditadura militar brasileira”, enfatiza a sinopse do documentário.

José Siqueira 
Nasceu em Conceição, no Sertão paraibano, filho de um mestre da Banda do Cordão Encarnado, que lhe ensinou a tocar diversos instrumentos como saxofone e trompete. Durante sua juventude, atuou em bandas de música de várias cidades do interior da Paraíba. Foi para o Rio de Janeiro em 1927 e logo ingressou na Banda Sinfônica da Escola Militar, como trompetista. Estudou no antigo Instituto Nacional de Música, onde formou-se em Composição e Regência, iniciando assim sua carreira de compositor e regente no Brasil e no exterior. Foi professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro; idealizou e criou a Orquestra Sinfônica Brasileira e foi membro fundador da Academia Brasileira de Música e da Academia Brasileira de Artes.

O músico foi reconhecido com mérito no Brasil e no exterior, tendo sido regente de importantes orquestras sinfônicas, entre as quais, a Sinfônica de Filadélfia (Detroit), Rochester (Estados Unidos), Orquestra da Rádio Sinfônica de Paris (França) e a Sinfônica de Roma (Itália). José Siqueira foi também regente de orquestras em países como Canadá, Portugal, Holanda, Bélgica e na Rússia, onde boa parte de sua obra foi editorada e preservada.

O maestro oficializou a Orquestra Sinfônica do Recife, a mais antiga do país, e também idealizou e criou a União dos Músicos e a Ordem dos Músicos do Brasil, assumindo a sua presidência em 1960. Deve-se a ele também a criação da Orquestra Sinfônica de Rio de Janeiro, Orquestra Sinfônica Nacional, Orquestra de Câmara do Brasil, Sociedade Artística Internacional e o Clube do Disco. Entre as suas ações estão a publicação de vários livros didáticos, tais como Canto Dado em XIV Lições, Música para a Juventude, Sistema Trimodal Brasileiro e Curso de Instrumentação.

José Siqueira foi aposentado compulsoriamente em 1968, pela ditadura militar, sendo afastado da cadeira de professor da Escola de Música da UFRJ e do Instituto Villa-Lobos, além de ter sido proibido de reger as orquestras e de ter sua obra executada. O maestro paraibano faleceu aos 78 anos, na cidade do Rio de Janeiro, deixando uma vastíssima obra de mais de 500 composições entre óperas, cantatas, concertos, oratórios, sinfonias e música de câmara.

Estavam presente ao evento, como Convidados:
  • Eduardo Consonni, psicólogo, documentarista e educador, atuando como roteirista, diretor, captador de som, montador e realizador. Nos últimos 10 anos atua como artista nas fronteiras entre arte, política e educação. É co-fundador e um dos diretores da produtora Complô, ao lado de Rodrigo T. Marques. Desde 2005, os dois vêm realizando documentários e desenvolvendo metodologias de ensino utilizando o audiovisual com foco na investigação do cotidiano como fonte da poética documental. Atualmente, Eduardo Consonni também trabalha como professor no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
  • Rodrigo T. Marques,  documentarista e educador e atua como roteirista, diretor, fotógrafo, montador e realizador. Graduado em Comunicação Social pela PUC-SP, iniciou sua carreira no cinema como produtor e em 2005 passou a dirigir e montar documentários. De 2010 a 2016 coordenou o curso “Observatório.doc” de documentário no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Entre as atividades da produtora Complô, destacam-se os documentários longas-metragens “Escolas em Luta”, “Pedro Osmar, prá liberdade que se conquista” e “Carregador 1118”.
  • Josélia Ramalho Vieira, doutora em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, professora adjunta do Departamento de Educação Musical da Universidade Federal da Paraíba e possui mestrado em Música (Práticas Interpretativas – Piano), bacharelado em Música (Habilitações: Violoncelo e Piano), ambos pela UFPB. A pianista foi integrante da Orquestra Sinfônica da Paraíba de 1984 a 2006. Atualmente desenvolve atividade como professora e pesquisadora e é vice-líder do GPP - Grupo de Pesquisa Pianística: práticas interpretativas, práticas pedagógicas e história. É ainda coordenadora do Laboratório de Pianos da UFPB (PianoLab) e, no âmbito camerístico, integra o grupo DUAS junto com a violoncelista Teresa Cristina Rodrigues, com um repertório voltado para música de câmara brasileira. 
  • Josélia Vieira, sobrinha-neta de José Siqueira e desenvolve trabalho de pesquisa sobre a vida e a obra do compositor paraibano. Em 2010 lançou o CD “José Siqueira Música de Câmera”, fruto de suas pesquisas, e em 2019-2020, colaborou com a pesquisa musical e produção local para o documentário “Toada para José Siqueira”. 
  • Luiz Carlos Durier, regente titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) e da Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba (OSJPB). No ano de 2012, o maestro recebeu a Comenda de Honra ao Mérito, pelo desempenho profissional frente a OSPB. Entre suas atividades, conduziu a OSPB na gravação ao vivo do CD da cantora Marinês e sua Gente e do DVD Sivuca e os Músicos Paraibanos. Com a OSPB e a OSJPB, esteve a frente de concertos com artistas populares como Ângela Rô Rô, Arnaldo Antunes, Tico Santa Cruz e Renato Rocha (Detonautas), Flávio José, Genival Lacerda, Alcione, Toninho Ferragutti, Geraldo Azevedo e Dominguinhos. Por cinco anos consecutivos, Luiz Carlos Durier regeu a Orquestra Sinfônica da Paraíba e a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba em concertos comemorativos ao aniversário da cidade de João Pessoa junto a artistas brasileiros. No dia 5 de agosto de 2015, as orquestras paraibanas apresentaram concerto na inauguração do Teatro Pedra do Reino, no Centro de Convenções de João Pessoa, com a participação da cantora carioca Zélia Duncan. Nos anos seguintes, as atrações foram os paraibanos Zé Ramalho, Cátia de França e Nathalia Bellar, e Chico César. Em 2019, o concerto em homenagem à cidade de João Pessoa foi realizado na Praça do Povo do Espaço Cultural, seguido pelo show da banda Paralamas do Sucesso.
O mediador 
Jãmarrí Nogueira, graduado em Jornalismo pela UFPB e pós-graduado em Jornalismo Cultural pela FIP. Trabalha como jornalista profissional há quase 30 anos, tempo em que atuou como repórter no jornal O Norte e como repórter, colunista e editor setorial nos jornais Moçada Que Agita, Correio da Paraíba e A União. Também foi colunista do Jornal da Paraíba. Como profissional de rádio, foi redator da Cabo Branco FM, apresentador na Cidade Verde AM e apresentador também na Tabajara FM. Atuou nos portais Tambaú 247 (hoje T5) e no MaisPB. Foi professor da graduação em Jornalismo na Fundação Francisco Mascarenhas. Atuou como repórter freelancer para os jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. Atualmente, é chefe da assessoria de imprensa da Funesc, sendo ainda colunista de cinema da CBN em João Pessoa e colunista de cultura do Portal T5.

O “Painel Funesc” estreou no dia 14 de julho de 2020, promovendo encontros virtuais semanalmente. A proposta do projeto é levar ao público discussões sobre diferentes linguagens artísticas, além de assuntos relacionados à produção cultural e à cena paraibana. Os encontros acontecem sempre às terças-feiras.

oblogdepianco.com.br com Secom