sábado, 3 de abril de 2021

Falsa enfermeira já vacinava pessoas em BH desde o início do mês, diz PF

Mulher está presa desde essa terça (30/3) e aplicava soro fisiológico nas pessoas que encomendavam o serviço irregular.


Operação Camarote, da PF, iniciou investigações no último dia 26(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
A
falsa enfermeira presa pela Polícia Federal por realizar suposta vacinação contra COVID-19 em garagem de empresa de ônibus em Belo Horizonte já atuava com o esquema na cidade desde o início de março, conforme investigações da Polícia Federal.

A mulher, que foi levada para a Penitenciária Estevão Pinto na noite dessa terça (30/3), teve a prisão temporária convertida em preventiva.

As autoridades constataram que a mulher, que na verdade era uma cuidadora de idosos, atendia também a domicílio.

De acordo com as investigações, um dos bairros em que ela mais fez "atendimentos" – em casas e apartamentos – foi o Belvedere, de classe alta, no Centro-Sul da capital mineira.

"Os moradores lá estão todos sem saber o que fazer", afirma um empresário que frequenta a região.

Diligências feitas pela Polícia Federal encontraram na casa dela ampolas de soro fisiológico.

A suspeita é que era isso que vinha sendo aplicado nas pessoas que contratavam seus serviços.

Conforme a PF, a falsa enfermeira, com os recursos que ganhava com a aplicação da "vacina", estava comprando carro e um sítio.

Entenda o caso
Segundo a revista Piauí, que denunciou a ocorrência de uma vacinação irregular contra a COVID-19 na garagem de ônibus em reportagem publicada no dia 24, a falsa enfermeira cobrava R$ 600 por duas doses do que afirmava ser vacina.

Vídeos aos quais o Estadão teve acesso mostram uma mulher de jaleco branco em meio a carros em uma garagem no bairro Caiçaras, Região Noroeste de Belo Horizonte.

Segundo as apurações da PF, a suposta vacinação no local ocorreu nos dias 22 e 23. Pelo menos 80 pessoas passaram pelo local naquelas duas noites.

A garagem é de uma empresa que pertence ao grupo Saritur, conforme informações de um funcionário repassadas à reportagem no local.

No início desta semana, os empresários Rômulo Lessa e Robson Lessa, da Saritur, prestaram depoimento à PF e afirmaram ter comprado o que acreditavam ser imunizantes de forma irregular.

Legislação aprovada pelo Congresso Nacional autoriza a importação de vacinas, desde que sejam repassadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo do período em que são imunizados grupos prioritários, como idosos e agentes de saúde.

A PF, inicialmente, trabalhava com três linhas de atuação. Desvio de vacina do SUS, contrabando do imunizante ou golpe.

Na segunda (5/4), o filho da falsa enfermeira prestará depoimento à Polícia Federal. A suspeita da PF é que ele seja o responsável pelo recebimento dos pagamentos, que ocorriam, muitas vezes, via PIX, o que vai facilitar as investigações das autoridades.

Além da compra de imóvel e veículo, outro indício de que a falsa enfermeira vinha aplicando o golpe de forma mais ampla pela cidade é que, antes de comparecer na terça-feira à garagem da empresa no Bairro Caiçaras, já havia passado em outros dois locais.

A reportagem tenta desde a semana passada, sem sucesso, contato com a Saritur, via telefone fornecido por funcionário do próprio grupo.