sábado, 27 de março de 2021

Presidente do Atlético-PB explica interesse no goleiro Bruno

(Foto: Régis Melo)
O goleiro Bruno, condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato e ocultação do cadáver da Eliza Samudio, mãe do seu filho, quase teve como destino, neste inicio de temporada, o Atlético de Cajazeiras. Diretoria azulina chegou a manter conversas com o atleta mas, por pressão de parceiros, o acerto não foi concretizado. 

A revelação da existência das negociações entre as partes foi trazida à tona pelo jornalista cajazeirense Léo Feitosa em seu perfil no Instagram. 

Segundo o relato, as conversas ocorreram desde de fevereiro, mas por motivos não expostos, a contratação não foi realizada. Em contato da reportagem do Portal Voz da Torcida com Eduardo Jorge, o presidente do Trovão Azul, o motivo para desistência veio por pressão de um parceiro do clube. O dirigente era favorável a vinda do atleta, justificando que ele cumpriu sua pena e que tem direito a ressocialização. 

– Não posso negar que era, sim, a vontade deste presidente dar a ele a oportunidade de voltar a trabalhar. Bruno passou dez anos na cadeia e cumpriu, até hoje, a pena que lhe foi dada. Não acho que ele tenha que ser pisoteado sem piedade para o resto da vida, o erro na vida não significa uma vida de erros. Justiça e vingança são situações totalmente diferentes, o cárcere é para ressocializar e não para banir perpetuamente da sociedade, se não, a justiça não teria sentido. Mas como não sou eu sozinho, no Atlético tem apoiadores ,e um deles foi contra. Então, achei melhor vetar a contratação – esclareceu. 

Bruno ainda não concluiu a sua pena completa, está, no momento, sob o regime semiaberto desde de julho de 2019. Em outubro do mesmo ano, conquistou o direito de poder exercer sua profissão e chegou a atuar por 45 minutos pelo Poços de Caldas-MG, onde tinha contrato à época. No começo de 2020, teve seu anúncio divulgado pelo Operário Vázea-Grandense-MT, mas, como no caso do Atlético-PB, a pressão dos patrocinadores fez o clube recuar. No meio do ano acabou indo para o Rio Branco-AC que, mesmo com perda de patrocínios e pressão popular, bancou a sua permanência. Lá atuou em 18 partidas pelo estadual e a Série D. Bruno foi condenado como mandante do assassinato de Eliza Samúdio, mãe de seu filho, que foi morta, esquartejada e teve seus restos mortais dados de comida para cachorros. 

Durante essa passagem pelo Acre, o goleiro trabalhou por um breve momento com o técnico Celso Teixeira, que sairia da equipe posteriormente para trabalhar no Atlético de Cajazeiras. Foi através de conversas com o treinador que o mandatário se convenceu em dar uma oportunidade, em um função de destaque, a um condenado por homicídio triplamente qualificado contra a mãe de seu próprio filho. 

– Não sou a favor da violência em nenhum sentido. Sou a favor sim da justiça. Sim, fui a favor da sua condenação, ele cumpriu, está novamente na sociedade. Então, isso quer dizer que a justiça entende que ele não é mais uma ameaça pra sociedade, caso contrário ele não estaria em liberdade. Ele esteve no Rio Branco-AC, antes de manter contato com ele, falei com o Celso Teixeira, que me disse sobre todo o bem que ele fez aquela equipe. Chegou até a pagar comida lá dos jogadores e muitas outras situações que o treinador me passou. Conversei com e ele e vi a vontade que ele tem de trabalhar novamente. Sei que a sociedade na sua grande maioria não vê assim, mas eu vejo que ele deveria sim ter uma nova oportunidade, não só futebol, mas sim na vida – contou. 

Mesmo cumprindo uma parte da pena em regime fechado e conquistando esse aval da justiça para voltar a trabalhar, Bruno nunca assumiu os crimes aos quais foi condenado, jamais declarou arrependimento ou sequer pediu desculpas para a família de Eliza Samúdio. Coloca-lo nessa posição de idolatria, própria de um meio como o futebol, causa a naturalização da violência de gênero, segundo a psicóloga, doutora em saúde pública e mestre em processos psicossociais em saúde, Vanessa Nolasco Ferreira, concedida em entrevista ao portal Uol, na época da sua chegada na equipe acreana. 

O capítulo é mais um episódio negativo no atribulado início de ano do clube sertanejo. Ainda nesse mês foi anunciado o rompimento da parceria para o gerenciamento do departamento de futebol com a empresa H9 Soccer. Com acusações de ambos os lados, o clube se vê num processo de reconstrução do elenco ainda na pré-temporada com o começo do Campeonato Paraibano batendo à porta.