domingo, 9 de fevereiro de 2020

Familiares de vítimas de incêndio são barrados no CT do Flamengo

(Foto: Reprodução)
Familiares de vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, o centro de treinamentos do Flamengo, foram barrados ao tentar visitar o local na manhã deste sábado (8). Eles prestariam uma homenagem aos meninos mortos na tragédia, que completa um ano.

Sob sol forte no Rio de Janeiro, amigos e parentes de Christian Esmério, Jorge Eduardo e Pablo Henrique se reuniram neste sábado (8) em frente ao CT. Com flores brancas e velas, apenas os familiares de Pablo entraram. Os seguranças acompanharam o grupo e impediram fotos.

As demais pessoas ficaram do lado de fora, com entrada vetada pelo clube. Não havia sequer um representante do Flamengo no local.

Aqueles que quiseram entrar nas dependências rubro-negras tiveram de esperar a liberação dos responsáveis pela portaria, que não permitiram o acesso. Os funcionários alegaram que não foi feito um pedido prévio. Até a entrada na recepção foi vetada, o que revoltou os presentes.

Na véspera, Reinaldo Belotti, CEO do Flamengo, havia restringido o horário para a cerimônia. Diante da repercussão negativa imediata, o executivo mudou de ideia e disse que bastava combinar um horário pré-determinado.

"Se eu pudesse, eu nem colocava meus pés aqui. Eu vim acender uma vela para o Jorge e parece que estou aqui para aparecer. É humilhante", disse Simone, tia de Jorge Eduardo. "Ter autorização para fazer uma oração é muito humilhante", afirmou Wedson Cândido, pai de Pablo.

Após cerca de uma hora e meia de espera por uma liberação do Flamengo, os presentes desistiram e foram embora do Ninho do Urubu inconformados. Antes, fizeram uma corrente de oração do lado de fora. Algumas velas também foram colocadas no local.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Flamengo ainda não se manifestou sobre o episódio.

Um ano depois do incêndio, o Flamengo ainda negocia indenizações com as famílias das vítimas. O clube já se acertou com três delas (de Gedinho, Athilia e Vitor Isaías), além do pai de Rykelmo -a mãe dele tenta anular o acordo.

Por determinação da Justiça, desde dezembro o Flamengo paga uma pensão mensal de R$ 10 mil para os parentes.