Em carta, divulgada nesta quarta-feira (14), Lula cita 6x1 e bets e pede "discernimento" a evangélicos; Ele diz compartilhar com os evangélicos o compromisso de cuidar das famílias brasileiras
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, divulgou nesta quarta-feira (14) uma carta dirigida às famílias evangélicas na qual pede "discernimento" na escolha eleitoral e associa propostas de seu governo à proteção da família e aos valores cristãos. A mensagem, publicada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, busca aproximá-lo de um segmento do eleitorado em que seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), mantém vantagem nas pesquisas.
"Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé", afirma o presidente, que associa sua trajetória política à criação familiar e à proteção divina. Ele diz compartilhar com os evangélicos o compromisso de cuidar das famílias brasileiras.
Ao final da mensagem, faz um apelo diretamente relacionado à votação de 25 de outubro: "Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil".
Bets, jornada de trabalho e segurança - Na carta, Lula cita o combate às apostas online, que, segundo ele, estão "destruindo tantos lares", e defende dois dias de descanso semanal. O presidente relaciona o fim da escala 6x1 à possibilidade de os trabalhadores passarem mais tempo com a família e participarem de atividades religiosas.
"As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração", afirma.
A mensagem foi divulgada no mesmo dia em que está prevista no Senado a votação da proposta de redução da jornada de trabalho, uma das principais bandeiras da campanha de Lula.
O presidente também promete combater a violência contra mulheres, o crime organizado e os crimes contra crianças e adolescentes. Entre os demais compromissos, menciona a melhoria da saúde pública, o aumento do poder de compra e a preservação ambiental.Desvantagem entre evangélicos - Na pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro, ainda no primeiro turno, Flávio Bolsonaro registrava 46% das intenções de voto entre evangélicos, contra 27% de Lula. Em uma simulação de segundo turno, a vantagem do candidato do PL era de 54% a 30%.
A tentativa de aproximação com esse eleitorado não começou agora. Em junho, o PT divulgou outra carta aos evangélicos, defendendo o histórico de respeito dos governos petistas às igrejas. Em 2022, Lula também publicou uma mensagem específica ao segmento, na qual defendeu a liberdade religiosa, criticou o uso eleitoral da fé e declarou ser pessoalmente contrário ao aborto.
Alckmin e Messias reforçam mobilização - Também nesta quarta-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o advogado-geral da União, Jorge Messias, divulgaram um vídeo convidando cristãos a participar do canal de WhatsApp "Cristãos com Lula 13", voltado à mobilização de apoiadores religiosos. "Você que é católico como eu ou evangélico como o Messias", afirma Alckmin na gravação. Messias, que é evangélico, incentiva o compartilhamento da iniciativa nas redes sociais.
A mobilização ocorre menos de 24 horas depois da suspensão do canal "Exército do Lula", coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Com mais de 4 milhões de seguidores, o canal só poderá retomar as atividades depois de cumprido o prazo de 48 horas contado de seu registro na Justiça Eleitoral.
Leia a íntegra da carta de Lula aos evangélicos:
"Carta de Luiz Inácio Lula da Silva às Famílias Evangélicas Brasileiras
Queridas famílias evangélicas do Brasil,
Resolvi escrever a vocês com o coração aberto, cheio de verdade, pois os cristãos com quem tenho dialogado estão me ensinando que a Bíblia nos orienta a 'seguir a verdade em amor'. Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras, pois somente lares fortes podem produzir uma nação forte!
Aprendi dentro de casa o valor do trabalho, resistindo bravamente com minha mãe, Dona Lindu, para criar uma família com sete irmãos. Com essa base familiar sólida, aprendi a amar e a lutar para transformar a realidade. É nesse chão que a minha história se encontra com a história de vida e de fé da sua família. Entrei para a política com esse compromisso em meu coração: ajudar a mudar as condições de vida das famílias pobres e batalhadoras.
Numa longa e difícil jornada, me tornei Presidente do Brasil por três vezes. Agora, disputo o quarto mandato. Cheguei até aqui com a proteção divina, orientado por um propósito e missão. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei. Guiado por Ele estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos.
Dentre as várias ações do meu governo que abençoam suas famílias, relembro a vocês, por exemplo, o combate às apostas online, as Bets, que estão destruindo tantos lares, e meu empenho para que todos tenham dois dias de descanso semanal, pois a vida não se resume ao trabalho. As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração.
Sigo também empenhado em proteger as mulheres, combater todos os tipos de violência e o crime organizado com inteligência: prender os bandidos, proteger as nossas crianças e adolescentes e poupar as vidas inocentes.
Jamais poderão nos acusar de estarmos comprometidos com políticas que destroem vidas, que fecham templos ou que não demonstrem respeito, como Jesus nos ensinou, que devemos amar a todas as pessoas. Precisamos avançar mais, precisamos amar mais! Até aqui, ajudei a arrumar a nossa casa, o Brasil. Mas sei que ainda há muito a ser feito. Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade.
Estou comprometido com a melhoria da saúde pública, para que sua família fique bem cuidada; com o aumento real da renda, com poder de compra; e com a preservação da natureza criada por Deus. O Brasil é nosso! Eu vou escutar e atender aos anseios de vocês.
Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil.
Com gratidão por sua atenção e generosa leitura, conto com suas orações e sigo olhando firmemente para a esperança da vitória e de um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos."
Fonte: Congresso em Foco
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outubro 14, 2026
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