Flávio cobra impeachment de Moraes por conversas com Daniel Vorcaro; Senador cobra abertura imediata de processo contra ministro após divulgação de relatório da Polícia Federal
Durante a sessão plenária desta terça-feira (1º), o senador e candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou dos pares e da Mesa Diretora da Casa mobilização pela abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em razão do conteúdo das mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O relatório da PF no inquérito relatado pelo ministro André Mendonça aponta diversos pedidos feitos por Vorcaro a um número atribuído a Moraes durante as investigações preliminares sobre as fraudes do Master. No material apreendido, a corporação não teve acesso às respostas, enviadas por meio de mensagens de visualização única.
No entendimento do congressista, o conteúdo das conversas entre o banqueiro e o magistrado indica a prática de crime de responsabilidade por Moraes. "Não dá para fingir que ele não cometeu crime de responsabilidade, pelo amor de Deus", exclamou.Veja o momento:
Para Flávio Bolsonaro, "Alexandre de Moraes precisa ter o processo de impeachment imediatamente iniciado. Hoje, de ofício". Dirigindo-se ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), solicitou: "bota agora em votação aqui no plenário, porque é inaceitável, é inaceitável a gente continuar aceitando esse tipo de coisa no nosso Brasil".
O congressista também cobrou uma reação do STF às mensagens. "Eu espero sinceramente, que a maioria no Supremo cumpra a lei. Eu espero sinceramente que eles respeitem a Constituição e que eles mostrem para o Brasil que eles têm alguma condição ainda de resgatar a credibilidade do Judiciário", declarou.
Achados da PF - O relatório da Polícia Federal cita registros de supostos contatos e encontros de Vorcaro com Moraes desde 2023 e mensagens enviadas a um número atribuído ao ministro. Em uma delas, o banqueiro demonstra preocupação com uma possível ação contra ele e menciona a necessidade de procurar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A corporação também cita o contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que previa pagamentos de R$ 3 milhões mensais, além de tratativas sobre eventos com Moraes em Londres. Segundo a PF, os metadados de um documento do contrato indicavam um usuário chamado "Ministro Alexandre de Moraes" como responsável pela última alteração.
O próprio Paulo Gonet é citado nas conversas. O histórico de mensagens revela que ele e Vorcaro chegaram a conversar por telefone e que o procurador teria solicitado ao banqueiro o custeio da passagem e da hospedagem de seu filho para um evento jurídico patrocinado pelo Master em Londres, onde o coordenador da PGR proferiu palestra.
A PF ressalva, porém, que não realizou diligências investigativas contra magistrados ou integrantes do Ministério Público e não concluiu que Moraes tenha cometido crime, interferido em apurações ou atendido a pedidos de Vorcaro.
Por enquanto, Moraes não foi formalmente incluído como investigado no inquérito. Na manhã desta terça-feira, Mendonça separou o material enviado pela PF, abriu vista à PGR e decidiu submetê-lo ao Plenário, que analisará os novos elementos e definirá os próximos passos do caso.
Nesta noite, Paulo Gonet solicitou a nulidade do relatório da PF. Segundo a PGR, André Mendonça extrapolou sua competência ao autorizar a investigação sobre um colega da Suprema Corte sem aprovação prévia do Plenário.
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setembro 02, 2026
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