Hosmã Passos: uma vida de trabalho, família e participação na história de Piancó

Na sexta-feira (7) Piancó perdeu seu 'Hosmá Passos', pai do poeta Hosmá Passos Filho. Seu 'Hosmá' foi sepultado no sábado (8) depois de muita luta pela vida... De agricultor a vigilante, de militante político a chefe de família, ele construiu uma trajetória simples e marcante, deixando na memória de Piancó um legado que atravessa gerações.

PIANCÓ — Algumas pessoas passam pela história de uma cidade sem ocupar grandes cargos ou posições de destaque. Ainda assim, deixam marcas profundas. Hosmã Passos foi uma dessas pessoas. Natural de Santana dos Garrotes, no Sertão paraibano, Hosmã construiu parte significativa de sua vida em Piancó, município onde trabalhou, constituiu família, fez amizades e participou ativamente da vida política e comunitária.

Sua história começou em uma família profundamente ligada às tradições do interior da Paraíba. Era filho de Manoel Passos, poeta, negociador e rezador, e de Francisca da Conceição, dona de casa, artesã e rezadeira. Cresceu cercado por valores como trabalho, fé, solidariedade e respeito às tradições populares.

Na juventude e na vida adulta, conheceu de perto a dureza do trabalho no campo. Foi agricultor e, posteriormente, ingressou no serviço público municipal como vigilante da Prefeitura de Piancó, função que exerceu até a aposentadoria.

Mas sua trajetória não ficou restrita ao trabalho.

Um homem que também viveu a política.

Em uma época em que a política fazia parte intensamente da vida cotidiana das pequenas cidades, Hosmã participou das disputas e dos debates políticos de Piancó. Foi um dos fundadores do MDB no município e, no início da década de 1980, decidiu colocar seu nome à disposição da população como candidato a vereador. Foi sua única candidatura.

Não conquistou o mandato por muito pouco, mas obteve uma votação expressiva. Anos depois, lembrava daquele episódio com serenidade e até com humor. Dizia que agradecia a Deus por não ter sido eleito, porque não tinha vocação para ser vereador e acreditava que poderia ajudar as pessoas de outras formas.

A frase revela muito de sua personalidade: Hosmã não enxergava a política apenas como uma disputa por cargos. Para ele, participar da comunidade e ajudar alguém também era uma forma de servir.

Sua residência tornou-se, em determinado período, um conhecido ponto de encontro político e social. Em tempos de grandes disputas partidárias, sua casa recebeu comícios, amigos, militantes e moradores.

Era ali, entre conversas, debates, comida e confraternização, que também aparecia o jeito irreverente de Hosmã.

“A casa aqui é minha; quem manda sou eu!”

E, para aqueles que chegavam, deixava outra recomendação:

“Comam, bebam e se divirtam à vontade, mas com respeito e ordem.”

Frases simples, mas que hoje ajudam a reconstruir a personalidade de um homem conhecido por sua maneira espontânea de receber as pessoas.

A família como maior patrimônio.

Foram 44 anos, ao lado de Jovelina Gonçalo, agricultora, dona de casa e rezadeira, que Hosmã construiu sua família.

O casal teve dois filhos: Hosmá Passos, primogênito, poeta, cordelista e agente cultural, e José Passos, que teve uma vida breve e faleceu aos três meses de idade.

A perda de um filho ainda tão pequeno marcou a família, mas a vida seguiu seu curso.

Anos depois, o primogênito passou a construir sua própria trajetória. Hosmá Passos tornou-se servidor público concursado da Prefeitura Municipal de Santana dos Garrotes, onde trabalha há cerca de 16 anos, além de desenvolver uma atuação ligada à poesia, à literatura de cordel, à cultura popular e ao rádio.

Assim, parte da história de Hosmã continua presente por meio do filho, que levou adiante valores familiares e transformou a cultura em uma de suas principais formas de expressão.

A despedida.

No domingo, 2 de agosto, Hosmã foi conduzido pelo SAMU ao Hospital Wenceslau Lopes, em Piancó.

Permaneceu internado até a sexta-feira (7). Na UTI, durante tentativas de hemodiálise, sofreu três paradas cardíacas, com duração aproximada de 20, 17 e 7 minutos.

Foram momentos de luta pela vida.

A equipe médica realizou sucessivas tentativas para reanimá-lo, mas, apesar de todos os esforços, Hosmã não resistiu. Sua morte ocorreu na tarde da sexta-feira.

A notícia encerrou uma vida, mas não apagou uma história.

O homem por trás da história.

Hosmã Passos não deixou um grande patrimônio material. Seu maior patrimônio foi construído de outra maneira: com trabalho, família, amizades, participação comunitária e histórias compartilhadas.

Foi agricultor. Foi vigilante. Foi marido. Foi pai. Foi amigo. Foi militante político. Foi anfitrião de encontros que ficaram na memória de quem participou.

E, sobretudo, foi um homem que acreditava que era possível fazer o bem sem necessariamente ocupar um cargo público.

Sua passagem pela política foi breve nas urnas, mas sua participação na comunidade foi maior do que uma candidatura.

Sua casa foi palco de encontros. Seu trabalho garantiu o sustento da família. Sua convivência construiu amizades. E sua família tornou-se a continuidade de uma história iniciada em uma época em que a vida era vivida com menos recursos, mas com fortes laços de comunidade.

Um legado que permanece.

A morte de Hosmã representa uma despedida para familiares e amigos, mas também o início de uma nova etapa: aquela em que uma pessoa passa a existir principalmente pela memória que deixou.

Em Piancó, sua lembrança permanecerá nas histórias contadas pelos antigos companheiros, nas lembranças dos amigos, nas memórias familiares e nos episódios políticos de uma época que já não volta.

E permanecerá, principalmente, na vida daqueles que vieram depois dele. Porque um homem não é lembrado apenas pelo cargo que ocupou, pelo dinheiro que acumulou ou pelo poder que exerceu.

É lembrado pelas pessoas que tocou, pelas portas que abriu, pela família que construiu e pelas histórias que deixou para serem contadas.

Hosmã Passos partiu, mas sua história continua.

Câmara de Piancó registra pesar na sessão de 10 agosto de 2026

Após seu falecimento, a memória de Hosmã Passos da Silva recebeu o reconhecimento institucional do Poder Legislativo de Piancó.

A Câmara Municipal de Piancó/PB registrou oficialmente seu pesar por meio da Moção de Pesar nº 51/2026, apresentada em homenagem póstuma a Hosmã.

De autoria do vereador Edgar Valdevino de Lima, a proposição foi formalizada pela Câmara e assinada pelo presidente da Casa, Edney Geovennaz Cabral Barboza.

O documento representa uma manifestação pública de respeito à memória de Hosmã e de solidariedade à família enlutada, passando a integrar os registros institucionais do município.

E enquanto houver alguém para lembrar, contar e transmitir sua trajetória, ele continuará fazendo parte da história de Piancó.

oblogdepianco.com.br com fonte e texto de Hosmá Passos Filho

Hosmã Passos: uma vida de trabalho, família e participação na história de Piancó Hosmã Passos: uma vida de trabalho, família e participação na história de Piancó Reviewed by www.oblogdepianco.com.br on agosto 10, 2026 Rating: 5
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