Mapeamento dos artesãos do Vale do Piancó revela talentos, fortalece a cultura e impulsiona a economia criativa regional
O artesanato do Vale do Piancó representa muito mais do que a produção de peças manuais. Ele traduz histórias, memórias, saberes transmitidos entre gerações e a identidade cultural de um povo que transforma criatividade em arte e tradição em oportunidade.
Nos últimos anos, a região vem fortalecendo um movimento de valorização dos artesãos e artesãs, unindo produtores, instituições, agentes culturais e parceiros em torno do turismo, da economia criativa e do desenvolvimento territorial.
Nesse processo, destaca-se a atuação voluntária do poeta e agente cultural Hosmá Passos, que há mais de dez anos realiza o mapeamento dos artesãos e artesãs do Vale do Piancó. A iniciativa tem como propósito identificar talentos, registrar trajetórias, dar visibilidade aos fazedores de cultura e fortalecer a conexão entre artesanato, memória cultural e novas oportunidades.
O mapeamento contribui para reconhecer profissionais que preservam técnicas aprendidas com familiares e antepassados, mantendo vivas expressões artesanais que fazem parte da identidade sertaneja. Como parte das ações de valorização e fortalecimento do setor, artesãos e artesãs receberam certificados de participação do Sebrae/PB, reconhecendo o envolvimento desses profissionais em atividades voltadas à qualificação, organização e preparação para novos mercados.
Também integra essa rede de valorização cultural Diassis Pires, produtor cultural de Coremas, contribuindo para o fortalecimento das ações culturais e para a promoção das potencialidades artísticas do território do Vale do Piancó.
Dona Gil representa a força do artesanato regional
A evolução desse trabalho ganhou visibilidade com a participação de representantes do Vale do Piancó no 42º Salão do Artesanato Paraibano, realizado em Campina Grande.
Entre os destaques está Maria Juvina, conhecida como Dona Gil (Gil Rendas), artesã residente em Piancó e natural de Pesqueira (PE), que levou ao evento a tradição da renda renascença, uma das mais importantes expressões artesanais do Nordeste.
A participação marcou a estreia de Dona Gil no Salão e simbolizou o resultado de um processo de preparação, orientação e apoio institucional. Sua trajetória demonstra como o fortalecimento da atividade artesanal pode abrir portas, ampliar mercados e transformar talento em oportunidade.
Ao avaliar sua primeira experiência no evento, a artesã destacou a emoção e as perspectivas para o futuro:
"Para mim foi maravilhoso, uma experiência espetacular. Boas coisas virão pela frente."
Além dos resultados comerciais, Dona Gil ressaltou a importância das conexões estabelecidas durante o evento, destacando que o contato com novos públicos ampliou a divulgação do seu trabalho.
Outro nome de destaque é Ariana Gomes de Souza, artesã de Igaracy, que apresentou sua produção em biscuit e participou pela primeira vez do Salão do Artesanato Paraibano, contando com apoio institucional da Prefeitura de Igaracy.
Sebrae/PB fortalece a preparação dos artesãos
O crescimento do artesanato regional está diretamente ligado à atuação de instituições que ajudam a transformar talentos locais em oportunidades.
O Sebrae/PB tem papel estratégico nesse processo, oferecendo orientação, capacitação, apoio à formalização, organização dos produtos, melhoria da apresentação comercial e preparação dos artesãos para novos espaços de comercialização.
A participação de Dona Gil no Salão do Artesanato Paraibano contou com o acompanhamento do programa de Agentes de Roteiros Turísticos do Sebrae/PB, por meio do ART. do SEBRAE Rafael Rodrigues, com suporte em etapas como formalização, registro, adequação dos produtos e precificação.
Também fazem parte dessa articulação José Isaac Pinto de Araújo (Isaac Araújo), gerente regional do Sebrae/PB em Itaporanga, e Regina Lúcia de Medeiros Amorim (Regina Amorim), gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB, fortalecendo a integração entre cultura, turismo, empreendedorismo e desenvolvimento regional.
Uma rede que transforma tradição em futuro
A cadeia produtiva artesanal conta ainda com parceiros que contribuem para a sustentabilidade da atividade, como Danielle Fernandes Dantas Lima, da Danita Store, em Itaporanga, fornecedora de materiais e insumos utilizados pelos produtores artesanais.
No campo cultural, destaca-se também Odilon Fernandes Neto, fundador do GICI – Grupo de Incentivo Cultural de Itaporanga, instituição que atua no fortalecimento das manifestações culturais do Vale do Piancó.
O mapeamento dos artesãos demonstra que o artesanato regional ultrapassa o valor comercial: cada peça carrega uma história, uma técnica, uma memória e a identidade de uma comunidade.
Ao aproximar artesãos, instituições, agentes culturais e parceiros, o Vale do Piancó fortalece uma rede capaz de gerar oportunidades econômicas, preservar tradições e ampliar a presença do sertão paraibano no cenário cultural da Paraíba e do Brasil.
A experiência de Dona Gil torna-se inspiração para outros artesãos e artesãs que desejam conquistar novos espaços, mostrando que qualificação, organização e parceria são caminhos importantes para transformar sonhos em realizações.
O Vale do Piancó revela, pelas mãos dos seus artesãos e artesãs, que cultura também é desenvolvimento. Cada criação representa a força de um povo que transforma conhecimento em arte, memória em inspiração e tradição em futuro.
Mais do que peças artesanais, são histórias construídas pelas mãos de quem preserva a cultura e ajuda a construir novos caminhos para o desenvolvimento regional.
oblogdepianco.com.br com Imagens: Assis Lira.
Informações: Rafael Rodrigues (ART. SEBRAE)
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julho 10, 2026
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