Parceria interinstitucional contra fraudes no auxílio emergencial encerra ciclo de atuação extraordinária

Relatório produzido pela PF mostra que trabalho integrado dos órgãos contribuiu para o aprimoramento dos controles administrativos e a persecução penal de fraudes sistêmicas.
Arte: Comunicação/MPF

Após três anos de trabalho, chegou ao fim a etapa extraordinária da Estratégia Integrada de Atuação contra as Fraudes ao Auxílio Emergencial (Eifae), conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF), em parceria com o Ministério da Cidadania, a Caixa Econômica Federal, a Controladoria-Geral da União, o Tribunal de Contas da União e a Receita Federal. Nesse período, foram realizadas 177 operações, com 782 ordens de busca e apreensão cumpridas e 99 mandados de prisão expedidos. As informações constam do relatório final produzido pela PF.

A atuação conjunta dos órgãos foi desenvolvida e implementada com o objetivo de trazer agilidade e efetividade às investigações envolvendo a concessão indevida – sem a presença dos requisitos legais – ou o pagamento ilícito – fraudes bancárias – do benefício criado pelo governo federal para garantir renda mínima aos mais vulneráveis durante a pandemia de covid-19. A partir do diálogo interinstitucional, foram fixadas balizas para que as milhares de denúncias de irregularidades recebidas pelos órgãos fossem direcionadas às instâncias adequadas a fim de garantir respostas rápidas à sociedade e evitar o colapso do sistema criminal.

No âmbito do MPF, a Orientação 42/2020 da Câmara Criminal definiu o escopo de atuação dos procuradores da República em relação às comunicações de fraudes no auxílio emergencial. O normativo – elaborado a partir de sugestões do Grupo de Trabalho (GT) Utilidade, Eficiência e Efetividade da Persecução Penal – sugeriu fluxos e encaminhamentos visando à resolução administrativa das situações possíveis, bem como a persecução penal dos casos mais graves e vultosos, especialmente aqueles envolvendo organizações criminosas.

“Criamos instrumentos de seletividade e oportunidade que conseguiram fazer com que grande parte dos pagamentos indevidos e das fraudes fossem enfrentados em nível administrativo, muitos dos quais evitados, sem gerar, necessariamente, repercussão criminal, que acarretaria enorme impacto no sistema de Justiça e seria de baixíssima eficiência, diante da grande quantidade de benefícios suspeitos”, explica o procurador da República Fernando Machiavelli Pacheco, coordenador do GT.

Segundo ele, a estratégia potencializou o combate às fraudes sistêmicas e gerou economia aos cofres públicos. “O aparelho estatal de repressão penal é custoso, envolve diversos atores e instâncias, e deve se dedicar a casos de maior abrangência ou gravidade. Com a Eifae, conseguimos fazer isso de maneira coordenada, evitando a dispersão dos esforços repressivos penais e buscando a correção administrativa dos pagamentos indevidos, inclusive buscando evitá-los”, completou.

Boa prática – A atuação conjunta permitiu a estruturação da Base Nacional de Fraudes ao Auxílio Emergencial (BNFAE), um banco de dados gerido pela PF, mas alimentado e acessado por todos os órgãos parceiros. A partir daí, foi desenvolvida metodologia investigativa própria, voltada à identificação da materialidade e autoria de fraudes massivas, notadamente as perpetradas por grupos, associações e organizações criminosas.

O coordenador da Câmara Criminal do MPF, Carlos Frederico Santos, afirma que essa abordagem global permitiu a racionalização das investigações, evitando a instauração de milhares de procedimentos individualizados, que sobrecarregariam o sistema de Justiça criminal, sem resultados satisfatórios para a sociedade. Além disso, contribuiu para o aperfeiçoamento da regulamentação do benefício e dos instrumentos de controle administrativo. “O trabalho realizado evidencia a importância da atuação integrada e articulada das instituições no enfrentamento da macrocriminalidade e em defesa do patrimônio público. É um exemplo de boa prática que deve inspirar outras iniciativas”, pontuou.

Em novembro do ano passado, a BNFAE foi incorporada à Base Nacional de Fraudes Bancárias Eletrônicas da PF, que passou a tratar dados de fraudes bancárias contra as contas da Poupança Social Digital, criada pela Caixa Econômica Federal para o pagamento do auxílio emergencial. Atualmente, a conta virtual é utilizada para o pagamento de vários benefícios, como o Bolsa Família, o Seguro Desemprego, o Seguro Defeso, o FGTS, o Abono Salarial, entre outros. Apesar da conclusão da etapa extraordinária da Eifae, a repressão contra as fraudes aos benefícios pagos pelo governo federal continua.


*Secretaria de Comunicação Social
oblogdepianco.com.br
Parceria interinstitucional contra fraudes no auxílio emergencial encerra ciclo de atuação extraordinária  Parceria interinstitucional contra fraudes no auxílio emergencial encerra ciclo de atuação extraordinária Reviewed by www.oblogdepianco.com.br on julho 02, 2023 Rating: 5
Tecnologia do Blogger.