9 de fevereiro: Feriado em Piancó em memória aos Mártires que tombaram na luta contra os homens da Coluna Prestes

por Edvaldo Leite de Caldar Júnior*

A
9 de fevereiro de 1926 a Coluna Prestes invadiu Piancó, que resistiu, mesmo com poucos homens. Entramos, assim, de forma trágica, sangrenta e dolorosa, para a história. Eis o breve relato desta invasão, tecido pelo saudoso padre Manoel Otaviano, escritor e membro da Academia Paraibana de Letras, extraído do seu livro "Os Mártires de Piancó", ora transcrevendo trechos de Lourenço Moreira Lima, que fora Secretário da Coluna Prestes, ora fazendo suas próprias considerações sobre o que ouviu de relatos do povo piancoense e das fontes por ele pesquisadas: 

"O dia 9 amanheceu belíssimo, fazendo a vanguarda o destacamento Cordeiro, seguindo-se-lhe Dutra e, por fim, Siqueira. Ao chegar a vanguarda, pelas 8 horas do dia, à vila de Piancó, foi recebida, hostilmente, por uma força que a guarnecia. (...) Piancó fica à margem do rio de mesmo nome, numa baixada. O destacamento Cordeiro, ao descer à ladeira que conduz à vila, foi rudemente atacado, travando-se renhido combate que durou até três horas da tarde, quando nos apoderamos da mesma vila. (...) A luta foi terrível, continua o secretário de Carlos Prestes, pois tivemos de desalojar o adversário aos poucos, tomando os seus entricheiramentos à viva força". Em seguida, o escritor faz o seguinte relato, como que restabelecendo a verdade dos fatos, que aqui transcrevendo resumidamente: " (...) os primeiros tiros dos defensores de Piancó partiram do piquete do então sargento Manoel Arruda, no Conselho Municipal, logo à entrada da rua. Um oficial revoltoso, parece que da vanguarda, vinha à frente de alguns soldados, aproximando-se da localidade, montado a cavalo, despreocupado de qualquer resistência. De fato, os revolucionários estavam informados de que Piancó os receberia pacificamente. Esse foi o primeiro plano do padre Aristides; mas os seus amigos, e ele mesmo, tendo notícias de que os rebeldes já andavam desbaratados, sem munição, reduzidos a pequenas parcelas, fugindo de encontros com as forças legais, resolveram, de um momento para outro, impedir-lhes a passagem. Essa a razão da luta sangrenta de Piancó".

(in "Os Mártires de Piancó". Editora Teone S.A.: João Pessoa, 1955, pp. 109/111)






*Advogado/historiador/pesquisador
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