terça-feira, 17 de novembro de 2020

A SOBERBA DA OPOSIÇÃO DE PIANCÓ

Por Pádua Leite*

C
om 1.460 votos de maioria, o atual prefeito Daniel Galdino (PP) conseguiu a sua reeleição, fato conquistado por apenas dois políticos: Ele e a sua mãe, Flávia Serra Galdino.

Resolvi escrever esse artigo para analisar os erros da oposição de Piancó nessa eleição e, como também, Daniel Galdino nos brindou com uma magnífica aula de política.

O primeiro erro foi valorizar a questão de cargos como prioridade para uns e desestímulo para outros. Cargos para uns; desprezo para outros. Eu, ex-vereador, por exemplo, não tive direito a um cargo sequer no Governo Estadual, mesmo tendo votado e trabalhado nas campanhas de Ricardo Coutinho (2014) e do hipócrita João Azevedo (2018). Já Cristiane Remígio, Paulo Barbosa e Sales abocanharam tudo porque simplesmente apoiaram os seus deputados. Quem não apoiou ficou a ver navios. Para mim acontecia o seguinte: na hora de dividir os cargos, Pádua Leite não existia; na hora de bater no prefeito; aí lembravam de mim...

O segundo erro foi preterir Edvaldo Júnior às vésperas da Convenção, numa “rasteira” de deixar todo mundo tonto. Edvaldo Júnior convocou todos os filiados para convenção e quem se tornou candidata foi Cristiane Remígio. Inexplicável. Detentora dos cargos no Hospital Wenceslau Lopes teria cacife para derrubar o filho do ex-prefeito. Ela, sequer, tinha programa de governo. Tiveram que copiar um da distante cidade de Itabira-MG. Uma atrocidade para quem tinha como slogan “Cuidar de Piancó”. Ora, quem quer cuidar de Piancó tem obrigação de saber de seus problemas e fazer um programa de governo com propostas sérias e direcionadas ao município e, jamais, copiar um programa de outro município que nada tem a ver com a nossa realidade.

O terceiro erro foi a fazer uma campanha da agressão. Eu mesmo fui abordado por um familiar e outro apoiador (aquele que quer agradar para colher frutos da sua agressão) que contestaram à minha decisão de votar no prefeito, como se eu fosse obrigado a votar em Cristiane Remígio... Alegavam que Daniel derrubara o portão da casa de mamãe. E isso era o suficiente para não votar nele, como se o gesto de votar, de escolher, estivesse alinhado com questões pessoais. A título de exemplo, Carlos Prestes votou em Getúlio Vargas, quando este determinou, anos antes, a prisão de sua esposa, Olga Benário Prestes, e a entregou aos nazistas, por seu judia, para ser mais uma vítima do holocausto. Não se atentaram para o meu perdão a Daniel, da mesma forma que perdoei Remígio Júnior, pelas ofensas do ano de 2010, ou seja, há mais de 10 anos, quando Daniel era um rapazote de 22 anos de idade, quando ele pediu perdão a mamãe e a mim. Obteve o perdão de minha mãe, em uma audiência criminal, e o meu no ano passado. O incrível é que eles “fecharam” os olhos para outras barbaridades, cometidas no mesmo ano e no mesmo dia (2010), contra Edvaldo Leite de Caldas, Cícero de Zé Rico, Yurick Lacerda. E até de André Galdino... Estavam lá todos “juntinhos” com a mesma bandeira e com o mesmo agressor. Aí pode!!!

O quarto erro foi tentar humilhar o ex-prefeito Sales Lima. Acreditavam que Sales Lima (DEM) não romperia pelo seu vínculo ao governador. A partir desse vaticínio, começou o processo de isolamento e de indiferença, quando este, no momento atual, seria o nome que mais representava a oposição. Lêdo engano. Deu no que deu. Sales Lima rompeu na hora certa e ganhou a eleição.

Lamento que tenham colocado a violência como instrumento da persuasão forçada e lastimo que reproduziram até os meus vídeos antigos para fazer um discurso de oposição. Ora, fui oposição e não me envergonho do que disse e nem do que fiz. Fiz uma oposição responsável e contundente, diferentemente de muitos vereadores que sequer tinham coragem de visitar as repartições públicas para fiscalizar.

De modo que, fazer oposição, com opositores que só enxergam à sua “barriga”, o seu lado, a sua dinastia, não pode ganhar eleição. Fazer oposição quando se tem como lema apenas a ocupação de cargos, o financiamento em dinheiro e a promessa de emprego não se cria um alicerce seguro, quando se deveria estudar o município, os seus problemas, criar alternativas, discutir melhoras aos munícipes e ter como critério para escolher os agentes políticos os requisitos de probidade, competência e comprometimento. Da forma como está a oposição nunca terá chance de vencer. Não se faz oposição com mexericos. Se faz com alicerces firmes e valorizando cada líder político, cada eleitor porque senão for assim no primeiro vento tudo vai abaixo. Foi o que aconteceu.

Por último, o grande vencedor foi o atual prefeito Daniel Galdino (PP). Com o seu carisma, conseguiu atrair adversários políticos, inclusive a mim, que era o seu ferrenho adversário. Fez um governo de obras e mais obras, que o elevaram ao topo dos melhores administradores de Piancó. Valorizou aliados e ex-adversários. Respeitou os adversários, mesmo aos atiravam flechas venenosas e impiedosas. Não caiu na tentação de responder aos ataques e nem, muito menos, se abateu com as baixarias. Seguiu a “cartilha” do avô, Gil Galdino, de sempre procurar conquistar e seguir em frente. Lembro-me que eu mesmo, muitas vezes, criticava duramente Gil Galdino. No dia seguinte, o mesmo me convidava para almoçar com ele. Surpreso pelo convite apelativo, eu aceitava. E, Gil Galdino me confessava: “você está certo, mas do seu modo, eu não serei político em Piancó. Aqui a política é diferente”. Firmou-se aí uma amizade que perdurou até os últimos dias de sua vida. 

Assim, Daniel seguiu certamente os conselhos de seu avô para fazer a política da conquista e do cumprimento de compromissos. Por isso, será prefeito por mais quatro anos e escreverá o seu nome na história de Piancó, como o melhor prefeito de toda a sua história. Tem ainda mais quatro anos para trabalhar...

Espero que a oposição tenha aprendido a lição deste ano...

*Advogado e ex-vereador em Piancó


oblogdepianco.com.br