sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Ysani Kalapalo, que foi à ONU com Bolsonaro, chama indígenas de “hipócritas”

 Foto: Reprodução/Internet
A índia que acompanhou Jair Bolsonaro à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) também marcou presença na live do presidente nesta quinta-feira (26). E Ysani Kalapalo chamou quase a mesma atenção que Bolsonaro na transmissão. É que ela atacou a esquerda e também lideranças indígenas tradicionais, como o cacique Raoni. A índia de 27 anos chegou até a chamar os demais integrantes da sua etnia de "hipócritas".

"Vocês parentes aí, seus hipócritas, vocês aí que ficam falando que [o presidente Bolsonaro] não está falando a verdade", soltou Ysani Kalapalo, ao dizer que iria revelar a verdade sobre a liderança do cacique Raoni. "Cada tribo, cada aldeia tem seu cacique, sua liderança. Somos 305 etnias diferentes e 274 línguas. Você acha que o Raoni vai representar as 305 etnias que existem no Brasil? Claro que não. Eu respeito muito ele, mas a ideologia dele não me representa", declarou a índia, logo depois de Bolsonaro voltar a atacar Raoni.

O presidente já havia colocado em dúvida a liderança do cacique Raoni na ONU. Lançado à disputa pelo Prêmio Nobel da Paz de 2020 por entidades indigenistas e ambientalistas, o cacique foi chamado de "peça de manobra" por Bolsonaro, que repetiu essa acusação na live desta quinta-feira. "Alguns chefes de estado cooptaram o Raoni", afirmou o presidente, dizendo que Raoni não poderia falar por todos os indígenas brasileiros porque um cacique só fala pela sua aldeia.

"Ele está bastante idoso. Com todo respeito aos idosos que a gente vai chegar lá um dia. A idade vai pegar todos nós. Está me pegando já. E ele é bem mais velho que eu", acrescentou Bolsonaro, que, com isso, começou a perguntar a Ysani o que ela achava sobre temas polêmicos como a exploração econômica das terras demarcadas.

A índia disse que concordava com a prática de turismo nas terras indígenas e afirmou que o território destinado aos Yanomani é grande. Bolsonaro aproveitou, então, para reforçar que não vai demarcar novas terras indígenas. "Queremos os índios do nosso lado. São nossos irmãos. O que não aceitamos é aumentar da forma como querem a quantidade de terra indígenas. Hoje é 14% [do país]. Achavam que até o fim de 2022 passaria para 20%. Não vai passar. No meu governo não vai passar. Não sou contra o índio, mas tem que ter racionalidade para demarcar", declarou.

Ysani ainda atacou a esquerda e os movimentos que criticaram o discurso de Bolsonaro na ONU. "Foi um discurso verdadeiro que eu nunca vi. Falou umas verdades. Sabe por que incomodou muita gente? Essa turminha vermelha aí. Porque eles estão acostumados a ouvir inverdades, coisas romantizadas. Aí o senhor vai lá e fala a verdade. Essa turminha não gosta de ouvir a verdade, está acostumada com ideologias romantizadas", afirmou.

Depois da presença dela na ONU, contudo, várias lideranças do movimento indígena brasileiro contestaram a representatividade de Ysani Kalapalo, dizendo que não concordam com os pensamentos da índia que tem acompanhado Bolsonaro.

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