terça-feira, 10 de setembro de 2019

Abertura do Mercado exigirá melhor gestão por parte dos Produtores de Leite

O recente acordo bilateral com a União Europeia, a abertura do mercado chinês para o leite brasileiro e a aproximação comercial do Brasil com os Estados Unidos são notícias relevantes para o produtor de leite do país. Essas aberturas comerciais ainda precisam ser mais bem definidas em seus termos e condições, por isso ainda é difícil fazer previsões. Mas é esperado que a competição aumentará no mercado doméstico. E, por outro lado, analisando-se alguns dados, é possível também antever oportunidades que poderão surgir se todo o setor se concentrar na boa gestão de sua produtividade.

A indústria do leite nacional é bastante grande. O Brasil é o quinto produtor mundial, com cerca de 7% do volume global. É uma força. E se investir em modernização e tecnologia pode aumentar suas chances de competir e crescer, com maior qualidade do produto e maior eficiência de todo o processo produtivo. Na ponta, isso exigirá melhores fazendas produtoras, o que energizará produtores, fornecedores, veterinários e técnicos em um movimento que pode afetar toda a cadeia para melhor.

Do ponto de vista do produtor, a gestão das fazendas, que já era importante, vai se tornar essencial nesse novo ambiente.

A boa notícia é que há muito a se fazer nessa área. Em sua edição de julho de 2019, em que avaliou o desempenho de 900 fazendas de leite gerenciadas do Brasil, o Índice Ideagri do Leite Brasileiro (IILB) apontou que, na média geral, 15% das bezerras morrem antes de completar um ano de vida. Já nas fazendas Top 10% (as mais bem ranqueadas em relação à pontuação geral), 9% das bezerras morrem antes de um ano, indicando um claro o potencial para melhoria. Esse é um fator que impacta diretamente a lucratividade de uma fazenda.

O próprio IILB já apontou o quanto, teoricamente, a boa gestão poderia fazer pela produtividade do leite nacional: se o rebanho leiteiro brasileiro tivesse o mesmo desempenho médio que as vacas das 900 fazendas avaliadas pelo Índice (21,8 litros/animal/dia), o Brasil poderia multiplicar por quatro sua produção atual, que hoje gira em torno de 33 bilhões de litros.

Essas questões foram debatidas no fórum AgroAsk, realizado durante a Agroleite, feira do leite que acontece anualmente em Castro, a 160 km de Curitiba. Participaram das discussões Geraldo Borges, presidente da Abraleite, Paulo Martins, chefe da Embrapa Gado de Leite, Hans Groenwold, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, e Luis Rangel, dretor de Estudos e Prospecções da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A Agroleite foi um local muito apropriado para esse debate. Uma das maiores feiras do leite do Brasil, ela reflete o fato de o Paraná ser o terceiro maior produtor nacional, com grande competitividade. Seu rebanho tem alto percentual de gado europeu, mais produtivo. Tem concentração geográfica e volume, o que facilita a logística, um fator de atração de novas empresas. E suas fazendas estão entre as mais tecnificadas do país.

Por essas razões, aliás, a indústria do leite do Paraná pode ganhar com um movimento focado na profissionalização da gestão e ganhar um papel ainda mais importante na indústria nacional do leite.

O AgroAsk Agroleite 2019 foi uma realização das empresas: 3rlab, Ideagri e Rehagro (do Grupo Rehagro) em parceria com a Abraleite (Associação Brasileira do Produtores de Leite) e Bouwman.