quinta-feira, 8 de agosto de 2019

GIL GALDINO: 93 anos de idade e muita saúdades; hj está no plano superior

Um simples resumo, se é que é possível resumir a História de Gil...

Contar a história de Gil Galdino é fácil quando se trata do seu período em Piancó. Mas lembrar da sua luta como homem para conseguir erguer seu patrimônio, economômico, é um livro que pode ser escrito ainda, muito em breve talvez um exemplar com relatos da juventude... Pois eu tive o prazer de conhecer Gil, ainda na minha adolescência, e não sei por qual motivo, ele sempre pedia pra mim sentar ao seu lado e dali por diante, várias histórias me eram contadas, parecia que eu estava vivendo com ele aqueles momentos. Uma das várias passagens pela vida de Gil  quando ele era muito jovem, foi quando "fugiu" (para ganhar o mundo, era assim que falava), de casa. Segundo ele, a vontade era de habitar novos mundos, ver novas coisas, observar o que estava ao seu redor. E as histórias eram tantas! E numa dessas vezes, ele fala - com orgulho -, quando chegou no Recife. Com alguns trocados no bolso, ainda 'sobreviveu' naquela grande metrópole. Em busca de trabalho, conseguiu um. Mas por pouco tempo e logo estava na rua por contenção de despesas da empresa. Uma famosa camisaria. Na pensão em que estava instalado, iniciou sua conversa com a dona do recinto, para convênce-la de que o dinheiro que ele tinha, havia acabado. Mas como um homem prático, convicente e honesto, fez com que a senhora dona da Pensão, o convidasse para fazer um teste atendendo os clientes, registrando-os no livro que ficava sob o balcão de atendimentos aos novos pensionistas (pessoas que vinham morar na pensão). E essa história iria longe, até ele conseguir voltar à Paraíba e se instalar em Campina Grande.

Claro que aqui, faço apenas um resumo...

Mas foi em Campina Grande que Gil conseguiu constituir um dos maiores escritórios de representação comercial do Paraíba. Viajava muito, inclusive para o estado do Maranhão. Indo muito bem no seu negócio, e já casado com dona DeMaria Serra Galdino, pais de Gilma e Flávia Serra Galdino, é convidado a participar da política em Piancó, a convite de um seu chunhado, João Cavalcante. Dali por diante Gil nunca mais foi o mesmo, pois havia sido 'infectado pelo virus da política'. E na política a história é muito longa, que só acaba quando o 'velho guerreiro' é chamado para o plano superior. 

Prefeito de Piancó  por três mandatos, e com um vasto patrimônio, não mediu esforços quando foi solicitado por alguns pais de famílias, paupérrimos, para que lhes ofertasse um 'pedaço' de terra para construir uma casinha de taipa. A partir da primeira doação, mais famílias vieram até Gil, e suas terras foram sendo divididas com as pessoas. Praticamente, todo seu bem imóvel foi doado as famílias de Piancó, onde se vê hoje os bairros Caixa Dágua, Campo Novo, Mariz, e por aí vai. Gil morreu pobre em termos de bens materiais, mas deixou um legado de bons e fieis amigos e correligionários. Além de ter concedido a suas filhas, algo que ninguém os retirará delas: Um Diploma de Medicina. Sua esposa, dona DeMaria Serra Galdino, moldou seu coração ao se tornar uma piancoense, quando das idas e vindas de Gil, de Campina Grande à Piancó. Hoje ela é a matriarca da família, e orgulha-se das sua prole, que cresceu com seus netos e bisneto. 

A Verdadeira Humildade

A verdadeira humildade é você dar o melhor de si sem se sentir melhor que os outros. É você ter consciência das suas qualidades, mas reconhecer que tem muitos defeitos também.

Ainda sobre a política, Gil fez erigir sua sucessora, apesar de ela preferir seguir a carreira profissional na área médica. Dra. Flávia Serra Galdino acabou substituindo Gil na carreira política como candidata e foi gestora de Piancó por dois mandatos. E hoje Piancó tem um neto de Gil frente à prefeitura piancoense: Daniel Galdino.

Gil nunca poderá ser esquecido! Pois falar dele é falar da história de Piancó, em termos de amizades, irmandade, obras, ações sociais; e fica na lembrança de todos como sendo aquele que deu o que tinha, para aqueles que não tinha nada... Uma casa! Hoje a maior parte das pessoas que eram tidas como pobres sem moradia, dão graças a Deus por ter um lugar pra morar, que foi graças ao bom coração do saudoso Gil Galdino que, se vivo estivesse, neste dia 08 (oito) de agosto estaria, não nos dando desgosto (falam que agosto é o mês do desgosto), mas nos dando seu testemunho de homem desapegado as coisas materiais e que primava pela boa e saudável amizade... Seriam 93 anos de vida! 

GIL, 93 ANOS DE VIDA NESTE DIA 08 DE AGOSTO, SE VIVO ESTIVESSE! ELE NÃO ESTÁ PRESENTE EM CORPO, MAS ESTÁ PRESENTE EM ESPÍRITO!

Antonio Cabral (DRT-PB 3085)