domingo, 28 de julho de 2019

Decisão de destruir mensagens hackeadas não é de Moro, afirma Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado (27) que a decisão sobre a destruição de mensagens apreendidas pela Operação Spoofing, deflagrada na terça-feira (23) pela Polícia Federal (PF), não compete ao ministro da Justiça, Sergio Moro. Um grupo de quatro hackers foram presos sob a acusação de invadir os celulares de moro e de integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba.

“A decisão de possível destruição não é dele (Moro). Podemos pensar e torcer por alguma coisa, mas o Moro não fará nada do que a lei não permite”, disse Bolsonaro. Segundo ele, “foi uma invasão criminosa”. O presidente foi um dos milhares de alvos hackeados pelo grupo. “Eu não tive esse problema porque nada trato de reservado nos meus telefones”, acrescentou.

A declaração do presidente aconteceu na formatura anual da turma de novos paraquedistas das Forças Armadas no 26º Batalhão de Infantaria Paraquedista, na Vila Militar, na Zona Oeste do Rio. Ao todo, foram 638 formandos.

As investigações levantaram suspeita sobre a imparcialidade do ministro como chefe da Polícia Federal. Em conversas reservadas, acredita-se que houve quebra do sigilo do inquérito e possível abuso de autoridade de Moro, o que torna sua situação cada vez mais delicada. Mas o presidente descartou possibilidade de afastamento.

“Zero [estremecido no cargo]. Tenho total confiança nele. Parabéns ao Sergio Moro, mostrou as entranhas da corrupção no Brasil. Aquele cara que está preso em Brasília alguém acha que não sabia o que estava acontecendo? Delatores já devolveram mais de R$ 1 bilhão. A Petrobras foi à lona, fundo de pensão também", disse.

Bolsonaro aproveitou para defender o filho e senador Flávio Bolsonaro, que alega ter tido o sigilo quebrado nos relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). “Invadir a privacidade das pessoas, quebrar sigilo sem autorização judicial também é crime”, encerrou.