segunda-feira, 6 de maio de 2019

Versões sinalizam divergência de Ricardo sobre estratégia de Azevêdo

Nos meios políticos paraibanos, o assunto mais comentado diz respeito à perspectiva de provável rompimento entre o ex-governador Ricardo Coutinho e o atual governador João Azevêdo, ambos do PSB, em virtude de problemas ocasionados como desdobramento da Operação “Calvário” e que já provocaram pedidos de exoneração de secretários de Estado remanescentes das gestões de RC. A última exoneração foi solicitada por Amanda Rodrigues, mulher de Ricardo, que ainda no governo deste acumulava a pasta das Finanças com a gestão do Projeto Empreender, um programa de incentivo, através do crédito, a potenciais investidores do Estado e que tem continuidade, a exemplo de outras iniciativas oriundas da Era Ricardo.

Amanda, na prática, já havia sido afastada da gestão do Empreender e prontamente substituída por um técnico da confiança do governador João Azevêdo. Na carta-despedida da pasta das Finanças, ela ressaltou a satisfação de ter colaborado com o governo de Ricardo para o equilíbrio das contas públicas, meta que, de acordo com sua versão, mantém-se na administração de João Azevêdo. Amanda cita números que comprovariam a saúde financeira do Estado e, ao mesmo tempo, possibilitariam o cronograma de austeridade que vem sendo cumprido, aí incluindo o pagamento, praticamente dentro do mês trabalhado, à massa de servidores públicos. Ela se reportou aos ingentes esforços que desenvolveu, juntamente com a equipe que auxiliava o marido, Ricardo Coutinho, para manter a situação sob controle, evitando-se o que aconteceu, em termos de ameaça à governabilidade, em Estados mais influentes como o Estado do Rio.

Interlocutores com trânsito nas hostes do Partido Socialista da Paraíba, que Ricardo preside, e que tiveram conversas nos últimos dias com Azevêdo, descartam a possibilidade de rompimento que é aventada por setores oposicionistas, interessados em dimensionar o grau de irregularidades envolvendo a gestão da Saúde Pública no Estado por parte de Organizações Sociais como a Cruz Vermelha do Brasil, descredenciada pelo governador Azevêdo. Esses mesmos interlocutores explicam que o que há é divergência da parte de Coutinho quanto à estratégia utilizada na metodologia de ações que culminam com pedidos de exoneração de secretários de pastas estratégicas. A divergência gera insatisfação natural por parte de Ricardo e acirra os ânimos nas próprias hostes socialistas.

Desde que foi investido no governo da Paraíba, João Azevêdo alertou os opositores a não procurarem agir como “pescadores de águas turvas”, explorando supostas divergências entre ele e o antecessor Ricardo Coutinho, que governou o Estado por oito anos. Deixou claro que o governo era de continuidade do projeto socialista, por ele considerado vitorioso, com naturais diferenças de sistemática ou de metodologia, mas sem prejuízo do ritmo imprimido à administração pública e aprovado pelo eleitorado que conduziu Azevêdo ao Palácio da Redenção em primeiro turno no pleito de 2018.

Na prática, além de Amanda, pediram exoneração Waldson de Souza (Planejamento), Gilberto Carneiro (Procuradoria Geral) e Livânia Farias, da Administração. Esta chegou a ser presa e teria firmado acordo de colaboração com as autoridades, o que abreviou a sua detenção, fazendo com que ela esteja em liberdade, se bem que debaixo de medidas restritivas. Uma outra auxiliar, que pontificava na Saúde, acabou remanejada para uma secretaria da esfera da Articulação Municipal. O único ponto admitido por fontes oficiais é que há um certo tumulto, considerado inevitável, em virtude das investigações da Operação Calvário. Fora daí, não há cogitação de rompimento ou distanciamento entre o ex e o atual governador.

Os Guedes