sexta-feira, 17 de maio de 2019

Protestar é democrático; depredar, não!

Qualquer pessoa de bom senso (e isso já não é tão comum) discorda, no mérito, da decisão do governo federal cortar recursos da Educação. Não somente pelo corte em si. Poderia ser uma providência estritamente necessária, com justificativa na crise, mas não é. O Ministério da Educação até agora não soube apontar uma razão técnica. O que fica, portanto, é a suspeita, com razão, do ranço ideológico.

Os protestos contra a supressão de verbas para o ensino superior devem, assim, unir brasileiros a pressionar o governo a um recuo. Ao menos, a uma explicação plausível. Ou ao anúncio de um novo programa educacional para as universidades.

Para reivindicar isso não precisa ser eleitor de Lula, da esquerda, ou de adversários do bolsonarismo. E nem quem o faz torna-se automaticamente um antipatizante do atual governo. Aliás, o eleitor do presidente é quem mais tem autoridade de pressionar. Mas, por outro lado, as legítimas manifestações se quiserem adesão precisam se vacinar do aproveitamento eleitoral. Do contrário, perdem a chance de ganhar a opinião pública.

Gestada e pilotada pelos estudantes, elas têm mais chance de sensibilizar e de se mostrar um movimento pró-educação, e de não cair na armadilha de ser interpretada como mero ato político-partidário contra o presidente. Mais um entre tantos.

Por que, guardadas as exceções, é o que fica no imaginário popular quando as bandeiras levantadas são de Lula Livre, uma bandeira do PT. Ou quando se assiste um santuário da Educação como Lyceu Paraibano, patrimônio público e da Educação, completamente pichado.

Atitudes contraproducentes que atraem rejeição de parcelas significativas da sociedade que, até concordam com a causa, mas não se sentem representadas por vandalismo ou por bandeiras vermelhas e palavras de ordem de um espectro ideológico-partidário.

Esses grupos, creio que até minoritários, erram e prejudicam a essência do movimento. Afinal, universidade não é um partido. Ou não deveria ser. Ela está acima de períodos governamentais, acima de presidentes e de líderes políticos. Ou deveria estar.

E, definitivamente, a depredação, ainda mais de uma icônica escola, não é a maneira mais sensata e coerente de legitimamente protestar. O respeito pelo patrimônio público é, antes de tudo, uma questão de civilidade e de educação básica. Vandalismo não é educação. É a ausência dela.

Heron Cid