quarta-feira, 1 de maio de 2019

Prostituição infantil já atinge 927 municípios

Reprodução
Levantamento feito pela Universidade de Brasília em parceria com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o Unicef registra casos de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes em 927 dos 5.561 municípios brasileiros. A surpresa é a presença do estado mais rico do país, São Paulo, com casos registrados em 93 cidades, na liderança do ranking da exploração sexual infantil, geralmente associada à miséria.


De acordo com o levantamento, que inclui dados registrados entre 2002 e 2004, a região que mais apresenta casos ainda é o Nordeste, com ocorrências em 289 cidades (31,1% do total).

Mas as regiões Sul e Sudeste, que concentram a maior parte da riqueza nacional, tiveram ocorrências em 402 cidades, 43,2% do total nacional. Os números refletem, em parte, a maior estrutura nos estados destas regiões. Mas também ajudam a derrubar o mito de que a exploração infanto-juvenil se concentra nas regiões mais miseráveis.

"Dependendo da mobilização em cada município o número de denúncias pode ser maior. O número não necessariamente está vinculado à pobreza, mas à vulnerabilidade social, que é um conceito mais complexo", diz a professora Maria Lúcia Leal, da UNB, que coordenou o levantamento.

Depois de São Paulo, o estado que registrou maior número de municípios é Minas Gerais, com 92, seguido por Pernambuco, com 63 cidades.

"Não existe um perfil. Acontece em várias classes sociais, econômicas e culturais. Está ligada à violência intrafamiliar, trabalho infantil, drogas", explica a professora.

No início deste ano, a Frente Parlamentar de Combate à Exploração Sexual Comercial Infanto Juvenil da Assembléia Legislativa de São Paulo registrou um número surpreendente de casos em pequenas cidades, com população entre 6 mil e 15 mil habitantes, nas regiões mais ricas do estado, como as de Barretos e Ribeirão Preto, conhecida como a Califórnia Brasileira.

O caso que mais chamou atenção dos deputados é o da pequena Colômbia, com menos de 7 mil habitantes, na divisa com Minas Gerais.

A pacata cidade, conhecida como destino de turistas atraídos pela pesca do dourado, balançou com a notícia de que o Conselho Tutelar havia descoberto 20 meninas com idades entre 13 e 16 anos que se prostituíam em ranchos de pesca. 


O prefeito de Colômbia, Fábio Alexandre Barbosa (PTB), prefere empurrar o problema para a vizinha Planura, em Minas Gerais.

"O problema é que o padre de Planura proibiu os carros de som na praça e estas meninas vieram para cá, onde damos mais liberdade", diz o prefeito.

Mas as investigações o contradizem. Dos seis casos comprovados pela Polícia Civil, três são de Colômbia. Existem suspeitas de que um influente comerciante local agencie as meninas para os pescadores.

Segundo o prefeito, a miséria não é desculpa para que as meninas caiam na prostituição.

"Aqui só não trabalha quem não quer", afirmou.

A deputada estadual Bete Sahão (PT), integrante da frente, disse ter ficado surpresa com a alta incidência de casos em cidades como Colômbia.

"Em uma cidade com seis mil habitantes as pessoas se conhecem e as ações não se dissolvem. É tudo muito próximo e quanto menor a cidade, maior o silêncio", disse a deputada.

LEIA MATÉRIA SOBRE A PROSTITUÇÃO INFANTIL EM PIANCÓ:

(O Globo)