quarta-feira, 29 de maio de 2019

Parlamentares querem incluir benefícios para crianças de baixa renda na reforma da Previdência

Juilo Mautner/Divulgação
Os deputados Felipe Rigoni (PSB-ES) e Tabata Amaral (PDT-SP), além do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), apresentaram na tarde desta terça-feira (28) dez emendas ao texto da reforma da Previdência para o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da proposta na comissão especial que analisa o projeto na Câmara.

Uma das emendas pede a inclusão, na Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a criação da "Seguridade da Criança". O dispositivo seria composto de dois benefícios: um deles é destinado a todas as famílias "em situação de pobreza" com pelo menos uma criança. Outro pagamento, adicional, se destinaria a cada pessoa de 0 a 5 anos, durante essa idade, no limite de cinco crianças por família.

O teto de renda não é especificado na emenda: segundo os parlamentares, caberá ao Congresso criar uma lei complementar que regule este e outros detalhes. Enquanto isso não ocorrer, o texto da proposta determina que valham as regras para concessão do Bolsa Família (Lei 10.863/2004).

Rigoni explica que a emenda foi motivada pelo fato de que 40% da crianças no Brasil nascem, atualmente, em situação de miserabilidade, o que compromete as chances profissionais dessa população na vida adulta. "A primeira infância é a etapa mais crítica na vida dessa pessoa, e a gente precisa deixar na Constituição uma garantia de que ela vai ter uma proteção social", afirma Rigoni. O impacto fiscal da medida, segundo seus autores, seria de R$ 45 bilhões em dez anos.

Os parlamentares consideram o valor baixo, já que todas as dez emendas propostas pelo grupo, em conjunto, implicariam em uma perda de R$ 237 bilhões na próxima década. Filiados a partidos de oposição, Tabata e Rigoni dizem reconhecer a necessidade de uma reforma, e afirmam que os ajustes foram propostos para "prezar pela inclusão social" sem abrir mão da economia de R$ 1 trilhão em dez anos desejada pelo governo. Como a meta oficial do governo é poupar R$ 1,24 trilhão, os ajustes permitiriam a economia de praticamente R$ 1 trilhão no período.

Com CongressoemFoco