sexta-feira, 10 de maio de 2019

Pais de Bruno Ernesto pedem afastamento de promotor e juíza por suspeição

O vazamento de uma informação, na tarde dessa quarta (dia 8), fez disparar o alerta para Inês Ernesto do Rego Moraes e Ricardo Figueiredo de Moraes, os pais de Bruno Ernesto. Há sete anos, eles clamam por Justiça no caso do assassinato (ou execução) do filho. E, pelo que tomaram conhecimento, estaria para sair parecer do promotor Marcos Leite pedindo arquivamento do inquérito que apura o crime. E que a juíza Francilucy Rejane Sousa Mota (2º Tribunal do Júri) estaria para acatar o parecer e extinguir o processo.

O alerta foi ainda maior, ao descobrirem que o promotor tem laços familiares com auxiliares muito próximos do ex Ricardo Coutinho, que é investigado no processo. Leite é genro de Carlos Pereira, que vem a ser superintendente do DER, e muito próximo do ex-governador. Outro detalhe: o promotor teria dado seu parecer de afogadilho, num processo “considerado muito extenso e complexo”.

Há toda uma história em torno desse parecer. Primeiro, que, nem Rodrigo Janot, nem Raquel Dodge, da Procuradoria-Geral da República, pediram o arquivamento do inquérito 1200, que tramitou por quatro anos no Ministério Público Federal e Superior Tribunal de Justiça, tendo como relator o ministro Félix Fischer. O inquérito apurou as circunstâncias do crime.

Depois, com o processo já aqui na Paraíba, dois promotores declinaram do feito: Leonardo Pereira e Artemísia Leal. Mas, segundo a família, não caberia a Marcos Leite dar o parecer. Ele não seria o promotor natural para dar o parecer. O processo “desceu” para o Estado, como se sabe, porque Ricardo Coutinho, ao deixar o governo do Estado, perdeu o foro privilegiado.

Paralelamente, os pais de Bruno Ernesto também descobriram que a juíza Francilucy Rejane Sousa Mota, esposa de um delegado de Polícia, é nora da vice-prefeita de Mataraca, Emília Brandão Mendes, que é filiada ao PSB e ardorosa aliada de Ricardo Coutinho. Os pais de Bruno entendem que as ligações são mais do que evidente para pedir a suspeição, tanto do promotor, quanto da magistrada.

“Por mais quanto tempo vamos esperar que Justiça seja feita?”, clamou Inês. E arrematou: “São evidentes as ligações com o investigado Ricardo Coutinho. Não é possível que a Justiça da Paraíba não tenha condições de dar as respostas que nós tanto esperamos. Nós já sofremos demais, e cada vez que algo assim acontece, é como se meu filho fosse novamente assassinado!”

Já a advogada Laura Berquó, que acompanha o caso de perto, postou: “O Ministério Público Federal na Paraíba não pediu arquivamento, Dr Rodrigo Janot não pediu, Dra Raquel Dodge não pediu. Bastou chegar na Paraíba para arquivar. Após inúmeras diligências. Tanto trabalho pra ser arquivado aqui.”

Texto/fonte de única e exclusiva responsabilidade do blog de Helder Moura