segunda-feira, 1 de abril de 2019

Silêncio de Livânia em interrogatório do MPPB faz defesa política perder força

Tanto o governador João Azevedo como o ex-governador Ricardo Coutinho, para citar apenas os dois maiores líderes do PSB na Paraíba, criticaram a condenação pública da ex-secretária Livânia Farias (Administração), sem que antes tivesse a oportunidade de se defender das acusações que levaram a Justiça a determinar sua prisão, atendendo pedido da operação Calvário.

Livânia foi delatada pelo ex-assessor, Leandro Nunes de Azevedo, que revelou pagamentos de propina por parte da organização social Cruz Vermelha, filial Rio Grande do Sul, que foi contratada pelo Estado para gerir o Hospital de Trauma sem licitação e sem ter experiência comprovada.

Ele contou que a ex-secretária comprou casa e outros bens com dinheiro da propina, e que também autorizou pagamentos de despesas da campanha eleitoral de 2018 do PSB com os recursos ilícitos, a exemplo do que fez com os quase R$ 900 mil que recebeu no Rio de Janeiro, para onde chamou fornecedores e antecipou valores de serviços que seriam entregues até as eleições.

Presa desde o dia 16, o que fez Livânia Farias na audiência com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), quando teve a oportunidade de se defender? Deu silêncio como resposta as indagações feitas.

Ficou claro tratar-se de estratégia da defesa jurídica da ex-secretária, mas que conflitou com a defesa política, isso ninguém pode negar.Se ela preferiu o silêncio, se não contestou as revelações feitas por Leandro Nunes de Azevedo, em quem acreditar?

Operadores do direito, contudo, avaliam que a estratégia pode beneficiar a ex-secretária. Apontam que antecipar defesa quando há investigações em curso seria um risco muito grande. Falar antes de se conhecer todo o conteúdo da acusação? Arriscar-se-ia a entregar informações que poderiam ser usadas contra ela.

A defesa política perdeu força, e como o silêncio nunca é associado a ausência de malícia – tem até ditado popular segundo o qual “quem cala, consente” -, a estratégia dos advogados pode provar ser eficiente no futuro, mas no momento reabastece a fogueira que queima a imagem dos girassóis.

Calvário
Com a exoneração e consequente perda de foro especial da ex-secretária Livânia Farias, a Operação Calvário, que estava com o desembargador Ricardo Vital, passou para a juíza Andrea Gonçalves Lopes Lins.

Calvário 2
O juíza é substituta na 5ª Vara Criminal da Capital, cujo cargo está vago, conforme consta no site do TJPB. Deve julgar, além de Livânia Farias e seu delator, Leandro Nunes Azevedo, dirigentes da Cruz Vermelha.

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