domingo, 17 de março de 2019

Pacientes fazem “vaguinha” para comprar água e funcionários estão com salários atrasados no Hospital Regional e na Maternidade de Patos

A carência de alguns medicamentos para tratamento de pacientes internos, falta de água mineral e o não pagamento dos salários dos funcionários está levando a um clima de revolta no Complexo Hospitalar Regional, em Patos.

Na manhã deste sábado, dia 16, a reportagem do Patosonline.com foi contatada por um funcionário que disse que a cada dia a situação fica insustentável e ninguém dá uma resposta concreta para a solução dos problemas apresentados. “Faltam medicações simples como Losartana! Estamos sem água mineral e a situação encontrada foi pedir para acompanhantes de pacientes e colegas de trabalho fazer vaguinha. Para piorar, a gente está desestimulado, pois trabalhar sem receber salário é desumano..”, relatou o funcionário que pediu discrição.

O problema é quase que semelhante na Maternidade Dr. Peregrino Filho. Um médico disse que está insustentável devido ao atraso no pagamento dos valores acordados em contrato e não cumpridos pela GERIR e os médicos. A GERIR é a empresa que administra o Complexo Hospitalar Regional e a Maternidade Dr. Peregrino Filho através de processo de terceirização com o Governo do Estado da Paraíba.

“A GERIR pagou apenas um mês dos vários que estão atrasados. Emitimos notas, abrimos empresas e ao que tudo indica vamos ter que entrar na justiça para poder receber os que estão em atraso. Os funcionários, técnicos em enfermagem, enfermeiros, auxiliares de serviços, enfim, todos estão sem salários até essa data (sábado 16)”, relatou o médico que também não quer ser identificado.

O Governo do Estado da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, lançou uma nota sobre os atrasos nos salários dos servidores: “A Secretaria de Estado da Saúde esclarece que já realizou o repasse para pagamento dos profissionais que atuam no Hospital Regional de Patos. Os recursos para o pagamento da Maternidade Peregrino Filho estão assegurados, mas o governo está impedido de realizar o repasse para a Gerir, Organização Social administradora das unidades, por que a empresa não apresentou suas certidões negativas de débito, estando irregular e impedida de receber recursos públicos. 

Em respeito aos profissionais que atuam nestas unidades de saúde, o Governo da Paraíba está buscando soluções legais para que possa realizar o pagamento na maior brevidade possível, e buscando soluções legais alternativas para que não haja interrupção na assistência nestes importantes serviços de saúde para toda a população do alto sertão do estado”.

O Governo da Paraíba está em meio a um escândalo bilionário que repercutiu em nível nacional e continua tendo desdobramentos. A Operação Calvário, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Corrupção (GAECO ), órgão do Ministério Público, desbaratou um esquema de desvios de recursos da saúde através da Organização Social Cruz Vermelha do Brasil.

Já em relação ao Instituto GERIR, o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE/PB) emitiu relatório contendo várias irregularidades em gastos do dinheiro público do Estado da Paraíba que são repassados para a GERIR.

Enquanto o Governador João Azevedo não toma medidas mais enérgicas para administrar a saúde na Paraíba, o desgaste da gestão que se inicia é visível e em Patos pode haver paralisação dos serviços por parte dos funcionários que estão trabalhando no limite das condições para exercer o trabalho no Complexo Hospitalar Regional e na Maternidade Dr. Peregrino Filho.


Patosonline.com