quarta-feira, 13 de março de 2019

Operação Calvário indica Caixa 2 em 2018 e em 2014, na reeleição de RC

A Operação Calvário II já tem repercussões claras na Paraíba: fortaleceu o conceito do GAECO/MPPB, que está sendo comparado à força-tarefa da Lava Jato; o desembargador Ricardo Vital de Almeida (TJPB) é apontado como exemplo; e Leandro Nunes Azevedo, o ex-assessor de Livânia Farias chamado de “colaborador” na decisão que revogou sua prisão, como aquele que colocou em xeque o futuro do governador João Azevedo e de outros girassóis.

Quem imaginava que menos de quatro meses após as eleições que registraram a mais expressiva vitória do PSB na Paraíba – João Azevedo ganhou no 1° turno com 58,18% dos votos válidos -, uma investigação iniciada no Rio de Janeiro iria revelar que sua campanha contou com recursos ilegais, através da Cruz Vermelha, contratada para gerir o Hospital de Trauma e que estaria desviando dinheiro da saúde?, questiona publicação da jornalista Lena Guimarães, no Correio da Paraíba.

Quem expõe o caso, e aponta até os fornecedores que receberam dinheiro por ocasião da viagem que fez ao Rio de Janeiro e recebeu uma caixa com mais de R$ 900 mil de Michelle Cardoso, da Cruz Vermelha, é justamente Leandro Nunes Azevedo, que também acusou a secretaria de Administração do Estado de comprar uma casa na cidade de Sousa com dinheiro da mesma origem, o que ela nega.

O andamento da investigação está devolvendo ânimo à oposição. Minoritária na Assembleia, até então acuada ao ponto de não conseguir 12 assinaturas para propor a CPI da Cruz Vermelha, já enxerga mais do que um processo de desgaste da imagem do PSB e de líderes como o ex-governador Ricardo Coutinho, mas a possibilidade de punições que podem alterar o comando administrativo do Estado.

O prefeito Luciano Cartaxo admitiu que o seu PV está acompanhando o processo, e que o jurídico da campanha que teve seu irmão, Lucélio Cartaxo, como candidato a governador, também.

O presidente do PSDB, Ruy Carneiro lembra que a Operação Calvário indica Caixa 2 não só em 2018, mas também na campanha de 2014, quando Ricardo Coutinho foi reeleito. Que existem outros exemplos de desequilíbrio nas eleições, como o famoso caso do Empreender-PB, que pedia cassação do governador, mas passados quatro anos, ele terminou o mandato e não foi julgado pelo TRE.

A diferença entre os dois casos é Leandro, que contou tudo e apontou todos.