sábado, 9 de fevereiro de 2019

9 DE FEVEREIRO, FERIADO EM PIANCÓ EM MEMÓRIA DE PADRE ARISTIDES E OS 'MÁRTIRES DE PIANCÓ'

Lei institui o dia 09 de fevereiro em Piancó, como feriado em memória ao Padre Aristides Ferreira da Cruz e aos 'Mártires de Piancó', aqueles que tombaram num confronto com os homens da Coluna Prestes, quando da sua passagem por Piancó em 09 de fevereiro de 1926. Na data de hoje (09/02/2019), uma vasta programação histórico-cultural, faz a todos lembrar desse episódio. Missa e eventos culturais e históricos, compõem uma vasta agenda de eventos em memória de todos os piancoenses que confrontaram a Coluna, liderados pelo Pe. Aristides. 

Para um melhor entendimento sobre essa parte da história de Piancó, leia o texto abaixo:

PADRE ARISTIDES E A CHACINA EM PIANCÓ (PB)

Por Geziel Moura

Tentarei, desta vez, produzir tessituras, sobre o Pe. Aristides Ferreira da Cruz, correndo risco de erros e equívocos, diante de grandes estudiosos do cangaço da Paraíba, cabras como: Francisco Pereira Lima e Jose Tavares De Araujo Neto. Assim, buscarei apoio, em minha narrativa, no livro "A Coluna Prestes, na Paraíba" do Pe. Manuel Otaviano.

Quando a Coluna Prestes, invadiu Piancó, provavelmente, em 09 de fevereiro de 1926, Aristides e sua tropa, não queriam o combate, porém sabedores das atrocidades, provocadas pelos rebeldes, não tiveram escolhas. Assim, a luta foi sangrenta, o padre não estava em "boas amizades" com, então, presidente (governador) da Paraíba do Norte, João Suassuna (pai de Ariano), e se expulsasse os rebeldes, da Coluna Prestes, poderia ganhar prestigio junto ao governo estadual.

O recorte histórico, que ora faço, remete a 25 de agosto de 1902, com a vinda do Pe. Aristides, do Rio Grande do Norte, para assumir os trabalhos eclesiásticos em Piancó (PB) e outras paróquias sertanejas próximas, como, por exemplo, Misericórdia e Conceição, no alto sertão da Paraíba, substituindo o Pe. Melibeu Lima, que pediu sua remoção, por estranhar a cultura sertaneja (alimentação, hábitos, costumes, clima, viagens), pois era oriundo da capital.


Segundo, o Pe. Otaviano, nos dez primeiros anos de sua função religiosa, Aristides viveu, longe da política coronelística na Paraíba. Entretanto, questões de ordem, políticas e que envolveram o Senador Epitácio Pessoa e o Deputado Federal Dr. Felizardo Leite, favoreceram o rompimento do padre, com a família Leite, e aproximação com o Senador.

Quem comandava, politicamente, Piancó, naquele tempo, era Felizardo Leite, e com a separação do antigo amigo, Felizardo se rebelou contra Aristides, o proporciona sua demissão da paróquia, em Piancó, pelo Bispo D. Adauto. Obstante, sua destituição do cargo clerical, Aristides não manifestava rebelião ao seu superior e continuava, seu sacerdócio, dessa feita, na posição de auxiliar. Porém, a guerra política entre Aristides e Felizardo recrudesceu, levando o rompimento do padre com seu superior, o Bispo D. Adauto.

Sentindo-se traído por D. Adauto, e por diversas calúnias recebidas por seus adversários políticos, Aristides afronta o bispo, e manda raptar Maria José, a "Quita" e passa a viver com ela em sua casa. O escândalo foi inevitável, a família da moça nada fez, pois, esta, era maior de idade. Ele alegava tal procedimento, por ter sido, traído.



Como Aristides, poderia combater, exército de cerca de dois mil homens? O inevitável ocorreu. Os piquetes em Piancó, se limitaram a casa do Padre e a cadeia, outros estavam longe do conflito, da vila. O combate começou na rua, se estendendo depois até a casa, o Sgt João Baiano, da Coluna Prestes, jogou uma lata de gasolina na porta da casa de Aristides, quando a porta se abriu, ao tentar penetrá-la o Sgt Laudelino Pereira da Silva, é alvejado e morre, porém a casa é invadida pela tropa de revoltosos, Aristides e seus companheiros são chacinados, neste momento, e seus corpos lançados em, espécie de monturo.

Imagens:
A  casa, alvo do combate no dia 09 de fevereiro de 1926, pela Coluna Prestes;
Marcas de balas, ainda, existentes na, porta interna, da casa;
Quarto do Pe. Aristides, na casa em que ocorreu a chacina;
Sepultura da Família Ferreira da Cruz, em que jazem o padre e dois filhos;
Igreja de Piancó, onde, Aristides foi Pároco

Todas fotos, foram, capturadas por Geziel Moura

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Página: Geziel Moura
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