sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Para analista, adversários exploraram mal ausência de Bolsonaro em debate

(Reprodução)
O fato de o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) ter se ausentado do debate entre presidenciáveis na TV Globo, preferindo dar entrevista à concorrente TV Record nessa quinta-feira (4), foi uma "oportunidade de ouro" perdida pelos adversários do deputado militarista, líder nas pesquisas de intenção de voto e apontado como nome certo no segundo turno. A conclusão é da jornalista Daniela Sholl, especialista com experiência de 18 anos em consultoria política (veja um resumo dos desempenhos ao final desta matéria).

A opção de Bolsonaro pela Record incluiu a veiculação da entrevista no mesmo horário do debate na Globo – com duração superior a 20 minutos, o que afastaria a hipótese, alegada pelos médicos do próprio candidato do PSL, de que ele não deveria se submeter a qualquer atividade por mais que 15 minutos. Para Daniella, o próprio fato de a Record pertencer ao bispo Edir Macedo – um dos principais líderes evangélicos do país – poderia ter sido explorada com mais eficiência pelos demais presidenciáveis. O religioso anunciou apoio à candidatura de Bolsonaro nesta semana.

"Acho que o Bolsonaro cometeu um erro ao fazer a provocação de dar entrevista na concorrente da Globo, no mesmo horário de debate. Fugiu do debate e foi dar entrevista na emissora do aliado, em um ambiente 'chapa-branca' [favorável]", ponderou Daniella, lembrando que campanhas como a que está em curso em 2018 são vencidas por quem erra menos.

A íntegra do debate na Globo:
Para a especialista, os demais candidatos perderam o "timing" da crítica durante o programa. "Os adversários erraram na estratégia de não aproveitar erro crasso de Bolsonaro. Ele estaria blindado por ordem médica, mas perdeu esse salvo conduto. Fez isso numa provocação clara à Globo – não comparecer ao debate e aparecer na concorrente, do seu mais novo aliado Edir Macedo", observou a consultora política, lembrando que horário do debate – das 22h desta quinta-feira (4) aos primeiros 45 minutos da sexta – requeria falas incisivas o mais cedo possível, ainda no primeiro bloco.

"Bolsonaro fugiu do debate e foi dar entrevista na emissora do aliado, em ambiente chapa-branca", observa consultora
(Arquivo pessoal)

Daniella (Foto) lembrou ainda que Marina foi bem quando disse, com ar grave, que Bolsonaro "amarelou" ao evitar o confronto de ideias – mas a candidata o fez tarde demais, destaca a jornalista. "Os adversários erraram na estratégia. No primeiro bloco, as perguntas eram livres. O que está acontecendo neste [terceiro] bloco, aos 15 minutos para a meia-noite teria, deveria ter sido tema do primeiro bloco. Porque foi claramente uma provocação, muito provavelmente sugerida por Edir Macedo. Os adversários tinham que ter explorado isso logo de cara", observou.

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