quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Mourão diz que vai processar Haddad por chamá-lo de torturador. Petista se retrata

Por Congresso em Foco

O candidato a vice-presidente pela chapa de Jair Bolsonaro (PSL), General Hamilton Mourão (PRTB), anunciou que vai processar o petista Fernando Haddad por reproduzir informação inverídica de que ele torturou o cantor Geraldo Azevedo. A declaração de Haddad foi dada nesta manhã (23) na sabatina promovida pelos jornais O Globo, Extra e Valor Econômico e pela revista Época.

No último sábado (19), durante show em Jacobina (BA), Geraldo Azevedo disse que foi preso duas vezes na ditadura e que foi torturado. O músico acusou Mourão de ser um de seus torturadores em 1969. Mas, naquela época, o hoje general tinha 16 anos e não estava nas Forças Armadas. Após constatar que havia se equivocado, Geraldo pediu desculpas pelo “transtorno causado”. O general, porém, disse que também vai processá-lo.

“Bolsonaro nunca teve nenhuma importância no Exército. Mas o Mourão foi, ele próprio, torturador. O Geraldo Azevedo falou isso”, declarou o petista na sabatina do grupo Globo. Após a repercussão negativa do episódio, o petista se retratou, mas não deixou de associar Mourão a tortura.

“O Haddad tem que aprender a checar o que é falso e o que é verdadeiro. O camarada que não consegue distinguir isso não pode presidir o Brasil, não pode nem ser síndico de prédio. Basta olhar a minha idade e ver que em 1969 eu tinha 16 anos. Eu tenho filho e tenho neto, vou processá-lo. Ele repercutiu (a declaração do Geraldo Azevedo) sem observar a realidade dos fatos”, disse o militar ao Globo.

“Eu entrei na Aman (Academia Militar das Agulas Negras) em 1972, era cadete. Em 1969 eu era interno do Colégio Militar em Porto Alegre, com 16 anos. O tal do Geraldo Azevedo soltou uma nota dizendo que foi um equívoco. Não foi um equívoco, foi má-fé”, acrescentou.

"Asneira"
Mourão também divulgou um vídeo nas redes sociais em que classifica a declaração de Geraldo Azevedo, reproduzida por Haddad, de “asneira”. Ele chamou o adversário de mentiroso.

“Hoje em entrevista ao jornal O Globo o candidato do Partido dos Trabalhadores repetiu essa mesma asneira. Vejam o grau de estupidez, o grau de mentira, o grau de incoerência dessas pessoas. Como pode o senhor Fernando Haddad querer governar o Brasil se não consegue discernir a verdade da mentira? Ele não consegue discernir porque a mentira faz parte da vida dele”, afirmou.

Ao se retratar em entrevista coletiva, o candidato do PT lembrou que Mourão e Jair Bolsonaro (PSL) tratam como herói o general Brilhante Ustra, já falecido, condenado como torturador. “Isso não tira o fato de que o Mourão quando passou para reserva disse com todas as letras que Ustra, um torturador, é uma de suas referências. Ele e Bolsonaro disseram isso”, disse.

Haddad também foi alvo de uma informação falsa difundida por Bolsonaro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interveio, a pedido do petista, para pedir a exclusão de conteúdo com a acusação de que Haddad tinha implantado "kit gay" nas escolas quando era ministro da Educação.

No show do último sábado em Jacobina, Geraldo Azevedo disse que o Brasil não pode voltar ao passado. O artista foi torturado, junto com a mulher, por 41 dias. "Olha, é uma coisa indignante, cara. Eu fui preso duas vezes na ditadura, fui torturado, você não sabe o que é tortura, não. Esse Mourão era um dos torturadores lá", afirmou Azevedo.