terça-feira, 11 de setembro de 2018

Filha de Cunha ganha R$ 2 milhões de fundo público e lidera doações do MDB


(Reprodução/Facebook)
O ex-deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ) perdeu a liberdade, mas não o poder. Pelo menos em seu partido. Preso desde outubro de 2016 em Curitiba, o ex-presidente da Câmara prepara da cadeia a sua sucessora em Brasília, a publicitária Danielle Dytz Cunha, sua filha mais velha. Estreante nas urnas, Danielle lidera a disputa pelos recursos públicos do fundo eleitoral entre os 19 candidatos a deputado federal pelo partido no Rio de Janeiro (veja lista de repasses ao final da reportagem).

A filha de Cunha já recebeu R$ 2 milhões do diretório estadual do MDB, conforme registros parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor é próximo do teto de R$ 2,5 milhões que um candidato à Câmara pode gastar neste ano. Além disso, ela ganhou R$ 7 mil de uma doadora identificada como Ângela Célia Souza Vilhena, que fez o repasse na condição de pessoa física – a legislação atual proíbe o financiamento empresarial de campanhas.

Até a noite desta segunda-feira (10), a candidata havia declarado gastos de campanha que totalizaram R$ 58.154,00. Desse valor, R$ 35.450,00 foram destinados à produção ou aquisição de adesivos e outros 15.885,00 para material impresso.

Os repasses a Danielle superam as doações feitas aos quatro emedebistas que concorrem à reeleição pelo estado. Três deles receberam, cada, R$ 1,5 milhão do partido até o momento. Celso Jacob, nenhum centavo. Procurado pelo Congresso em Foco para explicar os critérios da distribuição do dinheiro, o MDB fluminense diz que “se reserva ao direito de não comentar sua estratégia eleitoral” (leia nota mais abaixo).

O presidente do MDB fluminense, deputado Leonardo Picciani, não atendeu às ligações telefônicas da reportagem. Ele herdou o posto de seu pai, o cacique emedebista Jorge Picciani, que recentemente deixou a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) direto para uma cadeia pública do estado, envolvido em diversos escândalos de corrupção. Hoje, enquanto se vale de recursos judiciais, Jorge cumpre prisão domiciliar no Rio.

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