segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Greve de fome por liberdade de Lula chega ao fim depois de 26 dias

(Michelle Calazans/Cimi)
Chegou ao fim neste fim de semana, depois de 26 dias, a greve de fome que sete pessoas fizeram como forma de pedir a liberdade do ex-presidente Lula, candidato do PT à sucessão de Michel Temer (MDB) e preso desde 7 de abril em Curitiba (PR). Depois de quase um mês sem comer, em ato que começou em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), o grupo já começava a apresentar sinais preocupantes de saúde. Um deles teve que ser levado a um hospital de Brasília.

Eles estavam mobilizados desde 31 de julho. Durante o período de greve de fome, os ativistas Jaime Amorim, Zonália Santos, Rafaela Alves, Frei Sérgio Görgen, Gegê Gonzaga, Vilmar Pacífico e Leonardo Soares foram recebidos por quatro ministros do STF. Rosa Weber e Ricardo Lewandowski os receberam pessoalmente, mas os ativistas também foram recebidos nos gabinetes de Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, relator das ações que pedem a impugnação da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo os ativistas, a greve de fome teve como propósitos mobilizar o povo em relação aos direitos de Lula, além de provocar debate do assunto junto à mais alta instância do Judiciário e reforçar a importância da vontade popular em um Estado democrático de direito. Eles receberam uma carta de agradecimento de Lula na última sexta-feira (24) e disseram ter alcançado o objetivo de denunciar o "golpe" do impeachment de Dilma Rousseff, agora candidata do PT ao Senado, e alegada "prisão sem provas" do ex-presidente.

Em texto divulgado ao final da greve de fome (leia carta abaixo), os sete ativistas dizem ter acolhido "chamado de suas organizações para retornar às bases e fomentar com o potencial simbólico do ato praticado a luta popular". Eles explicam ainda que o ato que encerra a greve de fome, realizado em um auditório do Centro Cultural de Brasília (CCB), não representa o final da jornada de reivindicações. "Ao contrário, é uma nova etapa que começa", sintetiza Jairo Amorim, que se pronunciou em nome do grupo.

"Nos acompanharam quatro médicos fantásticos e uma cuidadosa equipe de saúde, que soube ouvir atentamente os nossos corações e os dilemas de nossas mentes. Tivemos o acompanhamento permanente de diversos dirigentes de nossos movimentos, que nos deram literalmente o braço e o ombro amigo", diz carta divulgada pelo grupo.

Leia a íntegra:

CARTA DE AGRADECIMENTO POR TODA SOLIDARIEDADE RECEBIDA NA GREVE DE FOME POR JUSTIÇA NO STF

Creio no direito à solidariedade e no dever de ser solidário. Creio que não há nenhuma incompatibilidade entre a firmeza dos valores próprios e o respeito pelos valores alheios. Somos todos feitos da mesma carne sofrente. Mas também creio que ainda nos falta muito para chegarmos a ser verdadeiramente humanos.

José Saramago

oblogdepiancocombr com fonte do CogressoemFoco