segunda-feira, 30 de julho de 2018

A algoz de Lula

Quem é Carolina Lebbos, a caçula dos juízes criminais de Curitiba, que cuida com mão de ferro das condições em que o ex-presidente cumpre sua pena de prisão.

Quando um processo de execução penal cai nas mãos da juíza substituta da 12ª Vara Federal de Curitiba, Carolina Moura Lebbos, os advogados costumam concluir que aquele não era seu dia. A mais nova magistrada entre os juízes criminais do tribunal — ela tem 35 anos —, Carolina é conhecida por ser afável no trato pessoal, mas severa e inflexível quando está empunhando caneta. Em fevereiro, o titular da Vara, Danilo Pereira Júnior, foi convocado para substituir um desembargador, e Carolina ficou encarregada de todos os processos sob sua responsabilidade — incluindo o do ex-presidente Lula, condenado a doze anos de prisão no caso do tríplex no Guarujá. É ela que tem impedido o petista e seu partido de transformar a cela num palanque político.

A mão de ferro para com o ex-presidente e seu partido teve momentos de drama e, também, de pastelão. Dezesseis dias depois da prisão do petista, a juíza.

Quando, em 25 de abril, Carolina negou o pedido para que Lula fosse atendido, “em caráter de urgência”, por dois médicos, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, disse no Senado que “negar assistência a Lula é crime contra a humanidade”. Alguns dias depois, diante da justificativa da defesa de que Lula deveria ser acompanhado para tratar a hipertensão, a juíza voltou atrás e permitiu que os médicos pudessem entrar sempre que fossem solicitados.

Quem conhece a magistrada não estranhou seu comportamento. Em fevereiro do ano passado, Carolina negou o pedido para livrar da cadeia uma mãe de duas filhas condenada em segunda instância a treze anos de prisão por peculato e lavagem de dinheiro. A mulher, uma empresária de Curitiba, ainda amamentava sua caçula, de 8 meses, quando a Justiça determinou a execução de sua pena. A defesa usou a amamentação para pleitear o regime domiciliar para ela. A juíza não amoleceu. Decidiu que a empresária poderia amamentar no presídio e que, por ser casada, não era a única responsável pelas crianças.
Entre os presos da Lava-Jato, Lula não foi o único a penar nas mãos da magistrada. Em outubro de 2016, o empresário e delator Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que estava no regime aberto, pediu autorização para uma viagem de sete dias ao exterior com o “objetivo de prospectar negócios” para o Brasil. O Ministério Público Federal não se opôs à viagem, mas a juíza sim. 

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