terça-feira, 27 de março de 2018

Mulher agredida pede ajuda no Facebook e vira alvo de ataques

(Edilene Santos/Facebook)
A paulista Edilene Santos sobreviveu por detalhe na noite em que o ex-companheiro tentou matá-la estrangulada e, por não obter sucesso, ainda lhe golpeou a cabeça com um martelo. Tudo isso na presença da filha do casal, que tem dois anos. O caso aconteceu na última sexta-feira (23), em Piedade, a 100 quilômetros da capital paulistana.

O homem fugiu e Edilene resolveu usar as redes sociais para pedir ajuda na captura dele. Em casa, ela tirou uma selfie com a roupa ensanguentada e, após ser socorrida no hospital, fez o post.

A publicação viralizou e, em meio a mensagens de apoio, a vítima também teve que lidar com o ódio gratuito de quem sente a necessidade de dar pitaco em TUDO o que vê no Facebook. Muita gente duvida que ela realmente foi agredida, pelo fato de ter tirado a foto.

Frente a isso, Edilene fez novos posts e explicou que a selfie foi tirada após a fuga do homem. “Não sabia a que horas seria socorrida e ele poderia voltar e me matar a qualquer momento, por isso quis deixar uma prova no celular”. 

Edilene foi atacada por expôr sua história, mas ela se soma a inúmeras mulheres que vivem o drama da culpabilização em casos de violência doméstica e sexual. Não basta apanhar, sangrar e quase morrer, as mulheres ainda precisam lidar com a imensa falta de empatia frente a casos de violência de gênero.

Seja no "inocente" comentário que diz “não entendo por que essas mulheres não largam do marido quando apanham pela primeira vez” até os claramente cruéis como “essa aí tava pedindo e agora quer reclamar”, a culpabilização se dá de várias maneiras. E isso precisa acabar de uma vez por todas!

Após uma série de postagens, na última segunda-feira (26), Edilene disse que decidiu se afastar das redes sociais por algum tempo. “Minha cabeça tá um caco”, desabafou. O homem que tentou matá-la continua foragido.

oblogdsepianco.conm.br com mdemulher