sábado, 17 de março de 2018

Eleitor reclama que vereador em quem votou não está na mesma base aliada

por Antonio Cabral*

Na campanha eleitoral de 2016 muitos eleitores se uniram em torno da família e votaram em um único nome para o cargo/função de vereador. Fui observador (e também candidato) e argumentei que aquilo era um "tiro" fora do alvo. Pois se a família tinha 05 (cinco) eleitores e na Câmara de Piancó existe a vaga para 11 (onze) assentos, então seria conveniente que aquela família dividisse seus votos para vários vereadores candidatos. Muitos me ignoraram e acharam que aquilo era uma loucura da minha parte. Eu expliquei que para prefeito a família poderia está unida  e até se fosse o caso, poderia dividir também os votos, por existir apenas uma vaga para esse cargo -, mas não me deram ouvidos. E eu expliquei que era até concebível entender que para prefeito existe apenas uma vaga, então poderia todos se unir em torno de um único nome. Já para vereador, a divisão de votos seria uma maneira consciente de ajudar a muitos candidatos e, quando, caso eleitos, aquele eleitor da família que votou, poderia ir em busca de apoio para um requerimento, projeto etc. Não quiseram me ouvir e hoje escuto as reclamações: "Votei e me arrependi!". Mas porque se arrependeu? "Porque meu candidato, eleito, não faz mais parte do grupo do prefeito e agora ele não pode dá uma palavra por mim!". Bem, se seguissem o meu conselho, talvez pudessem, aquela família, está agora buscando ajuda de outro vereador - já que os votos teriam sido divididos. Mas os "cabeças duras", ou "idiotas" (como bem diz Chico Jó), possam repensar e quem sabe nas próximas eleições usem da sua inteligência e dividam os votos pra vereador.

Há aqueles que vêem um candidato liso (sem dinheiro) e apenas e tão somente com ética, moral, bons antecedentes e com novas ideias mas, por não ter dinheiro, o eleitor foge dele como o "diabo foge da cruz". Existe até aqueles que dizem: "Ele não é eleito, eu não quero perder meu voto!". Ora, se você não votar, é claro que ele não vai ser eleito nunca. E com relação a perder o voto, você o perde quando vota em um candidato, por livre e espontânea vontade, e depois de eleito, esse candidato se acha no direito de mudar de partido, mudar de grupo e fazer o que bem quer. Será isso que você eleitor, também quer?

O voto é livre, mas o eleitor é o maior culpado por muitas situações que ocorrem hoje na política. 

Vender o voto é crime, mas essa prática acontece em plena luz do dia. A Justiça, por sua vez, necessita ser provocada para poder agir. Agora como é que a Justiça acredita na prestação de contas de um candidato, a vereador, por exemplo, que diz que gastou apenas R$ 3.000,00 (Três mil reais) numa campanha? Para ser eleito hoje numa cidade do porte de Piancó, a campanha de um vereador não sai por menos de R$ 50.000,00 (Cinquenta mil reais). Agora o candidato que luta para se eleger, apenas mostrando suas idéias, sua vida pregressa; esse não se elege nunca. Porque o eleitor não vota em ética, moral, propostas. O eleitor vota em benefícios próprios e são raros os que ainda tem consciência, e votam pela pessoa, pelo respeito, por consciência pensando num futuro e não na sua própria barriga.

Muitos bons nomes ficaram fora da Câmara, porque não usaram o dinheiro - mesmo porque não os tinha -, e acreditaram nas idéias. E idéias, ética, moral, princípios, não elege ninguém no mundo atual.

*Historiador/Jornalista-DRT-PB 3085