domingo, 17 de dezembro de 2017

“Fantasma” da candidatura de Lígia volta a incomodar o Palácio

    A hipótese recorrente de candidatura da vice-governadora Lígia Feliciano ao governo do Estado em 2018, embora considerada “tema requentado” por interlocutores e aliados do governador Ricardo Coutinho, preocupa concretamente os estrategistas políticos do Palácio da Redenção. Ainda hoje, a colunista Lena Guimarães, do “Correio da Paraíba”, informa: “Ninguém duvide: se Ricardo Coutinho renunciar para ser candidato ao Senado, Lígia Feliciano deverá assumir candidatura ao governo. Talvez seja por isso que ele teme renunciar e prefere ir até o fim, apostando na candidatura do secretário João Azevedo”.

    Lígia é filiada ao PDT, que tem na presidência estadual seu marido, o deputado federal Damião Feliciano. Ultimamente, enquanto reitera declarações de apreço e lealdade ao governador Ricardo Coutinho, Lígia intensifica aparições na mídia, fazendo intervenções em programas na televisão nos quais repassa dicas e orientações sobre cidadania. O governador, segundo se apurou, em nenhum momento aprofunda discussões com o clã familiar dos Feliciano sobre pretensões eventuais de Lígia porque confia cegamente na fidelidade do grupo.

    Escolhida praticamente na undécima hora para ser a vice de Ricardo na campanha de 2014 – foi ungida faltando quinze dias para o pleito – a doutora Lígia Feliciano já disputou sem sucesso a prefeitura de Campina Grande, onde concentra sua atuação política. O resultado não afetou a sua imagem. A possibilidade de Ricardo disputar uma cadeira no Senado sempre foi cogitada pelos Feliciano, como confidenciou, uma vez, o deputado Damião. Com isto, a expectativa se voltava para o apoio natural a Lígia como candidata, uma vez já aboletada na titularidade do mandato para completar a gestão de Ricardo.

    O recuo do governador em concorrer ao Senado pegou de surpresa não apenas o “clã” Feliciano mas os chamados ricardistas ortodoxos, que acompanham o projeto de poder do governador desde que ele foi vereador, prefeito de João Pessoa e deputado estadual. Lígia não é tida como “ricardista ortodoxa”, o que reduziria a sua margem de manobra para pleitear apoio de Ricardo à sua candidatura. Mas pode vir a ser tentada a assumir a candidatura por pertencer a um outro partido que não o PSB do governador Ricardo Coutinho e por avaliar que a candidatura de João Azevedo, um técnico que nunca disputou eleições, terá extremas dificuldades para decolar a despeito do apoio manifesto do governador.



    Nonato Guedes