domingo, 17 de dezembro de 2017

Em colapso de abastecimento, 28 cidades da Paraíba vivem de carros-pipa

Por causa da falta de chuvas nos últimos seis anos, 28 municípios do estado da Paraíba estão em situação de colapso no abastecimento. Segundo os dados da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), nessas cidades, os mananciais estão abaixo do nível mínimo para que seja possível fazer o bombeamento de água para a população. Uma das situações mais críticas ocorre em Teixeira, no Sertão do estado, onde as famílias recebem apenas mil litros de água por mês.

Os municípios atingidos pela situação de colapso são: Boa Ventura, Triunfo, Diamante, Carrapateira, Bernardino Batista, Riacho dos Cavalos, Teixeira, Emas, Matureia, Riachão, Tacima, Dona Inês, Damião, Riacho Santo Antônio, Amparo, Aroeiras, Gado Bravo, Sossêgo, Puxinanã, Nova Palmeira, Picuí, Frei Martinho, Barra de Santa Rosa, Nova Floresta, Cuité, Algodão de Jandaíra, Areial, Montadas.

Nos municípios em colapso, a água chega a casa dos moradores exclusivamente através de carros-pipa. Na cidade de Teixeira os carros-pipas só abastecem as casas uma vez por mês. A pouca água é usada com cuidado para matar a sede e cozinhar. “A situação aqui é precária. Aqui, de água mesmo, é uma escassez terrível”, disse a dona de casa Eliana Maria de Sousa, moradora de Teixeira.

Na zona rural do município, o abastecimento é feito pela Operação Pipa do Exército Brasileiro. Para a distribuição nas casas, os militares fazem um cálculo de 20 litros de água por pessoa. A situação é tão complicada que até para quem ganha dinheiro com a venda de carro-pipa, o desejo de ver a população sair do sufoco por falta de água é maior do que a busca pelo lucro “Tá tudo seco. A situação está feia aqui. É melhor ter a chuva, porque eu posso arrumar outro serviço”, disse o pipeiro Sancho Leite.

Segundo o secretário de agricultura de Teixeira, Pedro Bento, há alguns meses a prefeitura tem enfrentado dificuldades para garantir o abastecimento por carro-pipa, alegando falta de repasses financeiros. “A gente tá atuando com cinco carros-pipa, com o auxílio de um trator, mas infelizmente estamos fazendo o que podemos, pois a prefeitura está arcando com todos esses custos, porque a ajuda da Defesa Civil do Estado parou de vir há três meses”, disse Pedro Bento.

A assessoria de imprensa da Defesa Civil do Estado da Paraíba informou que os repasses a cidade de Teixeira e para outros 89 municípios vem através de parceria com o Governo Federal, mas o contrato acabou em 31 de agosto deste ano e, desde então, não tem recebido mais vergas. Ainda de acordo com a assessoria um novo plano foi aprovado, mas o recurso ainda não foi liberado.

Já o Ministério da Integração Nacional informou que qualquer outro novo repasse vai ser feita de acordo com suplementações financeiras realizas pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, mas ainda não há previsão para isso.

O açude secou
A cidade de Teixeira é abastecida pelo reservatório próprio Riacho das Moças. De acordo com os dados Aesa, o manancial tem capacidade para armazenar 6,834 milhões de metros cúbicos de água esta semana chegou a marca de 0,01%. Ainda segundo os dados da Aesa, desde abril de 2014 que o açude está com menos de 5% da capacidade total. Desde agosto de 2013 que o reservatório ficou com menos de 10%. Nos últimos 15 anos de monitoramento feito pela Aesa, o melhor nível que o manancial teve foi em julho de 2009, quando atingiu 88%.

Quando a água acaba
Em Matureia, na casa dos moradores da zona urbana chegam mil litros de água a cada 15 dias, através dos carros-pipa. Água que nem sempre é suficiente. Quando ela acaba, os moradores precisam comprar para ter mais. “Por enquanto tá R$20 (a cada mil litros de água) mas já comentam que vai aumentar pra R$25. Aí a gente tem que tirar do que come pra usar na água”, disse a dona de casa, Maria do Carmo Amaral.

Sem dinheiro para comprar água em carro-pipa, alguns moradores fazem o que podem para conseguir água pra família. Messias Paulino, por exemplo, está desempregado e pega uma carroça de mão para buscar água em pequenos açudes na zona rural. “Mil litros não dá nem para 15 dias. Mas pra comprar a gente não tem dinheiro. Eu não tenho emprego de nada”, explica ele.

Previsão
Segundo meteorologista da Aesa, Marle Bandeira, o cenário seco no estado só deve mudar em 2018. “O segundo período do ano é sempre considerado o mais crítico, porque as chuvas geralmente se concentram durante os primeiros meses. O cenário seco nos municípios paraibanos só deve mudar durante o primeiro trimestre do próximo ano, no entanto, ainda não há uma previsão de chuvas”, enfatizou.