sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Deputados de Brasília jogam no lixo pedidos de cassação sem analisar acusação

(CLDF)
Sem analisar o conteúdo das denúncias recebidas, a Câmara Legislativa jogou na lixeira 16 das 18 representações contra deputados distritais apresentadas entre 2015 e 2017. O índice de 89% é apontado por levantamento do Congresso em Foco com base em dados da Presidência da Casa, obtidos pelo Observatório Social de Brasília, e da assessoria de imprensa do órgão. A Mesa Diretora arquivou os casos, parte deles com parecer favorável da Procuradoria Geral do órgão. Com isso, as denúncias não chegaram sequer ao Conselho de Ética, para ser avaliado se o parlamentar feriu ou não a ética e o decoro.

Onze parlamentares foram denunciados por cidadãos, ONGS, uma deputada federal e partidos políticos no período. Algumas representações envolviam vários parlamentares. Todas foram parar na lixeira. Celina Leão (PPS) e Liliane Roriz (PTB), com seis acusações de quebra de decoro parlamentar cada, e Júlio Cesar (PRB), com cinco, lideram o pódio dos que mais tiveram investigações ignoradas. Em 2017, houve seis denúncias contra parlamentares. Em 2016, nove. Em 2015, três.

Celina e Júlio são réus no Tribunal de Justiça, por causa da Operação Drácon, que investiga esquema de pedidos de propina em troca de definição de sobras de orçamento em 2015, no valor de R$ 30 milhões, para empresas fornecedoras do governo do Distrito Federal. Os outros três deputados réus no caso, Renato Andrade (PR), Cristiano Araújo (PSD) e Raimundo Ribeiro (PPS), também foram alvos de representações, todas arquivadas pela Mesa Diretora.

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