segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A morte prematura de Mininin de Dandão e sua história

Dandão (João Cristóvão) era um próspero criador de gado e vendedor de leite em épocas que o leite era in-natura, não se colocava água pra aumentar a quantidade. O que valia era a qualidade! E passando um dia para onde estava o seu pequeno rebanho, na propriedade de seu primo dr. Eudo Moura Diniz, na rua que hoje dá acesso a AABB, havia um pequeno caminho e algumas casas de taipa (pau a pique). Dandão disse que ao passar próximo de uma dessas casas ouviu uma espécie de "gato miando" de tão fraco estava o choro de um bebê, que ele pode ver quando se aproximou da casa e e porta estava entreaberta, e viu uma criança recém-nascida numa rede, sozinha. Ele, Dandão, não teve dúvidas: pegou a criança e colocou um lençol por cima, e em seu jumento voltou pra rua imediatamente e foi até o consultório de dr. Eudo. Lá chegando, o médico das crianças viu que aquele bebezinho frágil, não teria como sobreviver e alertou de que se gastaria algum dinheiro para salvá-lo e seria necessário levá-lo até a cidade de Patos. Assim Dandão o fez e a criança sobreviveu. Dandão resolveu registrá-lo, já que dias depois descobriu-se quem eram os pais biológicos do recém-nascido. Não havia burocracia para se adotar uma criança. Qual nome dar ao novo filho? Carlos Antonio Cristóvão, em homenagem a um parente próximo. Assim, em 25 de dezembro de 1966 nascia o "Mininin de Dandão", que agora, nesse mês de dezembro, na próxima segunda-feira, de hoje a oito dias, estaria aniversariando. Mas problemas de diabetes e pressão arterial, lhe tiraram a vida antes do tempo. Dandão e sua esposa já são falecidos, e Mininin morava com uma irmã, Preta e um sobrinho, Neto. Sua residência sempre foi na Rua Margarida Remígio, por trás da Escola Normal Santo Antonio e ao lado da Escola Estadual Beatriz Loureiro Lopes, próximo a Granja do saudoso Natinha Freitas.

(Padre Luciano e Mininin)
Mininin sempre foi ligado a igreja e tinha como padrinho "seu" Antonio de Ana. Ficou como coroinha, ajudando nas missas, até que um dia resolveu ser vendedor ambulante. Andou por quase todo Sertão, o Vale do Piancó inteiro, vendendo utensílios domésticos, redes, cadeiras de balanço, etc.

Na política ele foi um dos fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores) em Piancó. Chegou até a ser candidato a prefeito pela legenda e teve como vice o amigo Heleno Ferreira. Tirou 123 votos. Depois migrou para o PPS (Partido Popular Socialista) e sempre seguiu, apesar de ter sido candidato pelo PT, os passos políticos do saudoso Gil Galdino, em quem ele sempre se pegava quando precisava de um apoio.

Os amigos ficam triste com a sua partida. Mas a vida tem dessas coisas... Uns vão mais cedo e outros mais tarde, no final, todos se vão. Seu sepultamento será nesta segunda-feira (18) no Cemitério São Miguel, e aos 51 anos, ele termina seu ciclo aqui no plano terrestre e vai agora habitar os céus.

Adeus amigo Mininin!!!


Antonio Cabral