sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nas redes sociais, quem diz o que quer, pode pagar o que não tem

Em tempos de redes sociais, parece que está liberado falar tudo, dizer o que quer, mesmo que o tom seja agressivo ou preconceituoso. Afinal, vivemos num país onde não existe censura prévia, correto? Bem, tudo é permitido, sim, em tese. Mas há que se ter cuidado com o que se escreve nas redes sociais. O bolso pode pagar, com pedidos de indenização na Justiça por danos morais, calúnia e difamação.

O alerta é do colunista do UOL, Leoanrdo Sakamoto, que elenca vários exemplos de pessoas, principalmente famosos, que se sentiram agredidos em redes sociais e buscaram seus direitos na Justiça. Um dos exemplos citados é o do deputado federal Jean Wyllis (PSOL-RJ) que resolveu expor, em suas redes sociais, ataques e ameaças que sofre e processar os autores. A condição de Wyllis para retirar tal conteúdo do ar e não prosseguir na Justiça é que o agressor apague sua postagem e faça, em seu perfil, um pedido público de desculpas. A tática tem dado resultados positivos. Muitos que “atacaram” o deputado têm procurado sua assessoria, boa parte deles apagaram as calúnias e pediram desculpas em público.

Sakamoto cita outro caso outro caso que ganhou repercussão. O do jornalista James Cimino, que também é gay, acusado por um atleta de apoiar a pedofilia por ter criticado os ataques àperformance que envolveu nu artístico no Museu de Arte Moderna de São Paulo. O clube do atleta, o Corinthians, chegou a publicar nota lamentando o ocorrido.

Há casos com finais trágicos para quem agrediu ou foi preconceituoso em redes sociais. Um copiloto da Avianca, por exemplo, foi demitido, em março de 2014, por conta de comentários preconceituosos contra nordestinos em seu Facebook. “Para manter o padrão porco, nojento, relaxado, escroto de tudo no Nordeste como sempre”, escreveu sobre atendimento em restaurante em João Pessoa. Quando ele resolveu apagar o texto, devido a repercussão negativa, já havia sido demitido.

Um dos casos mais famosos de demissão por postagem em rede social, conta Sakamoto, foi o de uma diretora de comunicação da InterActibe Corp, que publicou um comentário racista antes de levantar voo para a África do Sul, em dezembro de 2013: “Indo para a África. Espero não contrair Aids. Brincadeira. Sou branca!”. Ela só tinha 200 seguidores no Twitter, mas a informação rodou o mundo. Quando pousou, descobriu que havia virado trending topic. Acabou demitida.

Especialistas dizem que as pessoas não estão sabendo lidar com a liberdade quase que absoluta que as redes sociais permite. E daí, acabam falando tudo que pensa no momento, sem medir as conseqüências. Sakamoto dá uma sugestão, nestes casos, que vale a pena reproduzir: “Portanto, antes de postar algo de caráter duvidoso, pergunte-se: Eu teria coragem de gritar esse comentário em uma estação de trem lotada ou um teatro? Eu me importaria caso ele fosse destinado a mim? O que meu chefe, meus colegas , amigos e familiares pensariam se eu dissesse isso a eles?” 

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