domingo, 3 de setembro de 2017

João, a sucessão e a incógnita na seara governista

    Há quem duvide que desta vez seja para valer a candidatura do técnico João Azevedo a um mandato eletivo. Profissional de indiscutível competência na vasta área em que atua no governo do Estado, envolvendo infraestrutura e recursos hídricos, ele tem um tira-teima com as urnas diante do fato de que nunca se submeteu ao crivo delas. Esteve bem próximo, nos ensaios coreográficos para a disputa de 2012 a prefeito de João Pessoa, quando seu nome foi cogitado pelo próprio governador Ricardo Coutinho como reserva de qualidade para gerir o contencioso de uma Capital que cresce a perder de vista e com a qual crescem, em proporção similar, os desafios a serem equacionados pelo poder público.

    Em 2012 não deu – Azevedo acabou sendo substituído no páreo pela jornalista Estelizabel Bezerra, que teve boa performance mas não logrou bater na trave, tanto que ficou confinada ao primeiro turno, sem passaporte para a finalíssima, que foi decidida entre figuras carimbadas. Estela era jejuna em incursões políticas tanto quanto Azevedo, mas dispunha de uma desenvoltura maior, tanto assim que foi um quadro que o governador Ricardo Coutinho não perdeu de todo: ela foi eleita deputada estadual em 2014. Em 2016, Coutinho avaliou um leque de alternativas e acabou se fixando na professora universitária Cida Ramos, outra neófita na disputa política-partidária, embora forjada em disputas acadêmicas. O desempenho de Cida foi pífio, de tal sorte que o prefeito Luciano Cartaxo, candidato à reeleição, liquidou a parada no primeiro turno mesmo.

    Em 2018, Cida deverá refazer o trajeto de Estelizabel e partir para uma deputação estadual. No que diz respeito a João Azevedo, seu nome voltou à tona, desta feita como alternativa ao governo do Estado. Não há indícios de que ele esteja empolgando os girassóis e uma parcela expressiva do eleitorado paraibano, mas Ricardo persiste na estratégia de tentar massificá-lo, dando-lhe a palavra em cerimônias públicas e até tentando sensibilizar o eleitor com a promessa de ficar no mandato até o último dia para garantir a continuidade do projeto. Antes, como agora – e em escala infinitamente maior – o problema de fundo que Ricardo não deseja reconhecer é a dificuldade de transferência de votos. Ele já provou para si mesmo que é um campeão de votos – e a ópera termina aí. Quando adensa no território do imaginário popular ou do inconsciente coletivo portando o nome de João Azevedo para concorrer ao governo, o cenário embica, somem os vestígios de digitais de Ricardo no processo. E João é trucidado no vis-a-vis com outras cabeças coroadas que procedem de outras jornadas.

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