segunda-feira, 5 de junho de 2017

Um minuto de silêncio não resolve

Não vou aqui lamentar o que já é fato concreto e o que estava previsto, pedra cantada. A tragédia no Lar do Garoto era quase certa, mas só o Governo do Estado, com toda a sua arrogância, não percebia. Foram muitos os alertas e partiram de várias entidades, mas a auto-suficiência e a prepotência não deixaram que os auxiliares e o governador ouvissem essas vozes e tomassem as atitudes devidas.

Me revolta tomar conhecimento de um minuto de silêncio que o governador pediu durante o Orçamento Democrático em Campina Grande, sem mesmo ter colocado o pé em Lagoa Seca onde ocorreu a tragédia. Um minuto de silêncio não vai trazer os jovens de volta e não vai minimizar a dor e o sofrimento dessas famílias.

Agora, após sete mortes e dois adolescentes gravemente feridos não adianta remediar e atacar o Judiciário. Seria mais humano e mais correto assumir a responsabilidade e buscar soluções. Ninguém em sã consciência deixa 200 internos em um espaço destinado a 40.  Superlotação e maus tratos não ressocializa ninguém. Pelo contrário, gera revolta, gera conflito, gera morte!

Outro ponto que precisa sem combatido é o que vem sendo amplamente divulgado pelos "leões de chacra" do governo de que "eram só bandidos". Ora, cometeram crimes sim e ali cumpriam uma medida socioeducativa.  Estavam sob a tutela do Governo e ele não foi capaz de garantir as suas integridades. Não são só bandidos, são seres humanos, são pais de família, são filhos, são netos e são irmãos. Cada um que coloque para si o peso de ter um ente da família barbaramente morto.

Nós pedimos apuração dura das causas dessa tragédia. As mortes não podem ficar sem punição. Sabemos que não é possível construir novas unidades de forma imediata, mas pedimos que sejam expostas que medidas serão adotadas e em quanto tempo teremos uma solução para este grave problema.

Senhor governador, não precisamos de ataques e de trocas de acusação. Precisamos de ressocialização e de pessoas capacitaras para promovê-las. Quero lembrar que precisamos trabalhar de forma preventiva, investindo em educação e não fechando as portas de 200 escolas. Carecemos de investimento em esporte e não de corte de incentivos para atletas. Por fim, precisamos de humanidade, de um governante que sinta e entenda todas as dores da sociedade. Um minuto de silêncio não resolve o problema!
 
 
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Assessoria