sábado, 17 de junho de 2017

Homossexualidade: opção ou condição?

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Tem coisas na vida, para mim, que são incomensuráveis. Uma delas é ler um bom livro que me faça perder o sono, me deixando ruminando a ideia do autor. Schopenhauer, pensador alemão, é um desses filósofos que nos instiga a refletir sobre a vida, nos abduzindo deste lugar comum, para rompermos com o “natural”, com o “habitual”, aprendido ao longo dos anos sem o filtro da crítica. 

Diante de uma grandiosa obra deste filósofo, aludo ao livro “Metafísica da Morte” que tem como ponto crucial, a meu ver, um questionamento sobre o que éramos antes de nascer. Interessante, porque o livro analisa as opiniões sobre o que seremos após a morte e é, neste caso, original se perguntar o antes da vida.
Para o filósofo alemão, ninguém tem poder sobre o antes e o depois da nossa existência, nem de forma real e nem abstrata. A questão que me tira o sono é que, também, não temos poder nenhum de escolher nem ter nascido, onde, como, e em que condições. “Fomos jogados ao mundo”, tese eminentemente existencialista de uma linha ateia.


Sei que existem linhas de pensamentos, a maioria religiosa, que defendem que este poder está com um ser supremo, onipotente. Mesmo levando em conta esta teoria teológica, o questionamento que farei não será prejudicado. 

Acompanhando o pensamento de Schopenhauer, acredito que não escolhemos nascer e que condições terá esta existência. Neste sentido, chego a seguinte questão: escolhemos a nossa condição sexual? Ser heterossexual, homossexual, bissexual ou transgênero é uma escolha do ser existente? 

Nascer na Alemanha, ou nos EUA, ou na Somália é uma escolha do indivíduo? Nascer em uma família equilibrada ou ser filho de pais drogados e marginais, é uma escolha do ser humano? Mesmo querendo responder que tudo isso é um desejo do Ser transcendental, não nos escapa perguntar qual o critério deste desejo, o porquê e o para quê.

Neste caso, prefiro acreditar que a natureza (também não sei com que critérios) se responsabiliza por essas distribuições aleatórias. Prefiro acreditar que a preferência sexual de todas as pessoas que habitam este planeta é uma condição do existente e não uma opção ou orientação. Acredito que o ser humano tem o poder de escolher e optar pela construção de sua identidade como ser ético e moral. Que tem o poder de escolher cumprir leis ou desafiá-las. Que tem o poder de escolher ou deixar que outros escolham por ele, mas não tem o poder de escolher ter nascido com olhos verdes ou azuis; escolher quem será seus pais; escolher a sua nacionalidade; escolher sua condição sexual. 

Portanto, fica inequívoca que a sexualidade não é uma opção e sim uma condição. E isso me faz questionar a irracionalidade da xenofobia, do bairrismo geográfico, do nazismo e da homofobia. 

Compreender a condição do indivíduo homossexual é dar um passo gigante em direção aos direitos do ser humano. Ser humano que busca a felicidade independentemente de sua condição. Condição esta que busca simplesmente amar, como diz o poeta: “Toda forma de amor vale à pena. Toda forma de amor valerá.”