segunda-feira, 1 de maio de 2017

Empreender não é só arriscar, é aprender com o fracasso


Empreender não é só arriscar, é aprender com o fracasso

As crises econômicas, de maneira geral, são analisadas pelo seu impacto na queda do consumo, redução na oferta do emprego formal e aumento da violência. No âmbito pessoal, surgem temas como estresse, depressão, conflitos familiares, crises existenciais, a busca por auto­ajuda ou até um retorno ao universo da religiosidade. Mas há também aquelas pessoas que enxergam problemas como oportunidades, dificuldades como desafios, e passam esses momentos pensando em como reinventar a si mesmas e a seus negócios.

Essas figuras se diferenciam por olhar a crise como uma oportunidade para se tornar um empreendedor. Procuram aliar seu conhecimento e experiência com alguma determinação e capacidade de correr riscos. Desta forma, ousam, inovam e se reinventam.

É evidente que essa atitude tem inúmeras influências de caráter cultural. Existem culturas, filosofias, religiões, processos educativos e estruturas familiares que tendem a ser mais estimuladoras do empreendedorismo. Outros grupos são mais cautelosos, temem o fracasso e desenvolvem suas vidas e carreiras ao redor de estruturas que consideram mais “seguras”.

Como exemplos, podemos destacar aqueles que buscam carreiras em empresas públicas ou concursos, ou até vínculos com grandes corporações. Enfim, estruturas que estão alinhadas aos modelos tradicionais do emprego. Na cultura latina, de forma geral, correr riscos e fracassar ainda são comportamentos muito pouco analisados como formas de aprendizagem. Ou até como estímulo para seguir adiante.

Um livro lançado no Brasil sob o título “O Poder do Fracasso” (Editora Sextante), da pesquisadora americana Sarah Lewis, cujo original em inglês é “The Rise — Creativity, the Gift of Failure, and the Search for Mastery”, trata do tema com bastante amplitude, praticidade e muitas histórias de superação.

O livro traz as histórias de empreendedores, artistas e inventores. Durante a pesquisa, ela diz ter descoberto que as pessoas não dão a atenção necessária aos processos que antecedem os resultados. “Nós tendemos a esconder todo o trabalho que resulta em grandes invenções e pioneirismo, ignorando acidentes e contratempos.”

Segundo ela, “a frustração, encarada como uma aprendizagem, pode funcionar como estímulo para chegar ao nosso objetivo. O que não ocorreria caso não passássemos por uma situação de ‘quase sucesso’.” Ela destaca a importância de conhecer e aprender dos fracasso de outras pessoas. “Elimine a palavra fracasso, que tem um significado estático, do seu vocabulário, e foque em expressões como conversão, transformação, que revelam que tudo é um processo”, prossegue ela.

A autora conclui dizendo que “quando você encoraja a ambição de tentar, [as pessoas] podem falhar, mas ainda terão imaginação, capacidade e motivação para a busca empreendedora.”

Em momentos como os que estamos vivendo, de turbulências socioeconômicas por todos os lados, inclua este tema nas suas reflexões, alternativas, projetos, conversas e diálogos com parceiros e filhos. Podem surgir novas ideias e encaminhamentos criativos.
 


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Valor Econômico