quinta-feira, 25 de maio de 2017

Brasília termina com feridos, prédios depredados e capital sitiada pelas Forças Armadas

(Lula Marques/AGPT)
Os milhares de manifestantes que marcharam desde o estádio Mané Garrincha até o Congresso Nacional protestavam contra as reformas Trabalhista e da Previdência e em defesa de eleições diretas antecipadas para presidência da República. O caos se instalou logo no início da tarde.

Diante do ocorrido no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, um dos incendiados, o ministro Blairo Maggi chegou a dizer, por meio do Facebook, que estava no prédio quando atearam fogo na recepção.

(Mídia Ninja)
“Estava em reunião no Ministério da Agricultura com meus secretários para avaliar a minha viagem ao Oriente Médio e tomar pé das coisas do Mapa, quando invadiram o prédio. Eles colocaram fogo na recepção, danificando as instalações. Ainda não sabemos a soma dos prejuízos. É lamentável que as manifestações acabem em vandalismo”, disparou.

De um lado, manifestantes e parlamentares que participaram do ato reclamavam da atuação dos policiais. De outro, políticos e policiais justificaram a ação truculenta como forma de conter os manifestantes que praticavam atos de vandalismo.

Diante da repercussão verificada em Brasília, o ato se estendeu para outros estados. Em Salvador, na Bahia, manifestantes também foram às ruas por eleições diretas e contra as reformas de Temer. Em São Paulo, um ato foi convocado para a noite de hoje (quarta-feira, 19).

“Depois desse massacre realizado pelo governo ilegítimo em Brasília, venha pra luta por eleições diretas para a Presidência da República. Sem democracia não há futuro!”, dizia texto da convocação publicado nas redes sociais. Em Belo Horizonte (MG), pessoas foram às ruas da capital mineira em repúdio contra os desdobramentos do protesto em Brasilia.

Decreto de uso das Forças Armadas
O decreto de uso extraordinário das forças de segurança foi justificado pelos registros de vandalismo durante o ato – protagonizado por pessoas mascaradas –, cuja pauta principal era a saída do presidente Michel Temer e a realização de eleições diretas no país. Antes mesmo de fazer o anúncio oficial, o Exército chegava na Esplanda para conter a confusão.

Ao convocar coletiva para falar do assunto, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, creditou a autorização do decreto a um pedido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A situação, no entanto, causou mal estar entre os parlamentares e Maia teve que justificar. Convocou coletiva e disse que havia pedido apenas auxílio da Força Nacional. Na ocasião, também criticou a decisão de Temer que estendeu o decreto até 31 de maio, e classificou como “excesso”.

Empurra-empurra e confusão na Câmara
Enquanto a confusão do lado de fora do Congresso se agravava, parlamentares da oposição tentavam encerrar a sessão. Logo após um discurso crítico do líder do Psol, Glauber Braga (RJ), quanto ao pedido atribuído ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que fosse autorizado uso das Forças Armadas em Brasília nesta quarta-feira (24), os parlamentares quase se esmurraram no plenário da Câmara.

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