sábado, 1 de abril de 2017

MPF põe em dúvida qualidade da água da transposição e não crê no fim do racionamento a curto prazo

(Foto: Reprodução)
O Ministério Público Federal em Monteiro, na Paraíba, divulgou nota nesta sexta-feira (31) em que afirma que a obra da transposição das águas do Rio São Francisco na Paraíba não está concluída, pois está apenas em fase de pré-operação e testes. O MPF faz, ainda, alertas à população, sobre a qualidade da água e riscos às pessoas ao longo da obra. “Ainda não há certeza técnico-científica acerca da qualidade da água, sem o devido tratamento, nos mananciais para consumo humano”, afirma o MPF em Monteiro. 

O MPF entende que os compromissos assumidos pelos órgãos envolvidos no eixo leste da obra, em reunião no dia 8 de março de 2017, não foram cumpridos na integralidade. “As obras de adequação necessárias nas barragens Poções, Camalaú e Boqueirão não foram concluídas, bem como não foram elaborados os planos de ação de emergência e/ou de contingência para acidentes”, diz o MPF, em nota.  

A nota foi divulgada em virtude dos “recorrentes desencontros de informações técnicas”. 


“Não existe clareza de informação acerca da vazão da água fornecida pela transposição que passa pelos canais e rio Paraíba, no Cariri paraibano”, aponta o MPF. De acordo com o órgão, a irregularidade da vazão da água que percorre o rio Paraíba, especialmente no trecho Poções-Camalaú, aponta para a precariedade na gestão do sistema. 

Segundo o posicionamento do MPF, a passagem da água por Monteiro e Camalaú, em vazão ainda desconhecida, e a suposta chegada da água em Boqueirão, não significarão a interrupção ou suspensão no racionamento d’água em curto prazo. Além disso, a falta de revitalização do rio Paraíba prejudica a sustentabilidade da condução da água até o açude de Boqueirão, que abastece Campina Grande e região.

O assoreamento do rio Paraíba e outros fatores como evaporação, infiltração e captação irregular também contribuem para dificultar ainda mais a chegada da água ao açude de Boqueirão.

O MPF também alerta que a vulnerabilidade da execução da obra pode trazer riscos à integridade física e psicológica da coletividade.

“Diante do cenário de incertezas, o MPF alerta a população para que evite banhos nos canais da transposição e no leito do rio Paraíba; não utilize água sem outorga dos órgãos competentes; não pratique atividades de extração mineral sem as devidas autorizações; e, em caso de rompimento de barragens ou canais, cumpra as orientações dos órgãos de defesa civil”, orienta o MPF.


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